quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Pelas ruas do planeta

Um dos maiores pensadores do mundo foi meu mestre de Filosofia
O seu nome é Cláudio Ulpiano e ele marcou profundamente a minha formação
E me deu uma profissão também isto é ele mostrou pra mim
Que faz sentido sim a gente ser professor que não precisa ser tolo
O maravilhoso afã de pensar perguntar procurar estudar e depois falar
Pros outros que quiserem ouvir seja na sala de aula atual ou virtual
Ou até pelo papel mesmo que seja um papeltela
Um dia ele falou assim prà turma inteira:
Que máquina esse menino vai ser daqui a uns anos
Eu acho que ele pensou guattari e deleuzianamente
Uma máquina casada com a potência
Do pensar fazer construir
Criar amar
Isto é
Que eu também iria ser um professor de Filósofia como ele
Ou até quem sabe um filósofo ou até
Um pensador sem marca ou etiqueta
Caminhando e conversando
Pelas ruas
Do planeta

Acorde

O menino fica perplexo ao perceber
Que nós também somos americanos
Mais ainda quando junta as informações
E se dá conta que o nosso é o país mais rico do mundo
E que por isso mesmo tem complexo de inferioridade
Colocado em cada pessoa da esquerda da direita do centro
O medo estranho de não ser gente de verdade
Que uma dominação de dois séculos atrás fez
Pra enriquecer umas terras às custas das Américas
Quer dizer, esse jogo não se transmutou
Ainda somos explorados principalmente pela piedade
Da direita da esquerda do centro e da borda
De um mundo sem centro, sem psicomotricidade
Mas que de repente, pode ser, que acorde

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Os donos da bola

Quando eu tinha quatro anos de idade
Entrei pro Instituto Novo Horizonte
Na Voluntários da Pátria
Em mi Botafogo querido
Já no jardim da infância
Começaram a me ensinar Inglês 
Então a língua do d'Álbion bardo 
Tornou-se total/mente minha
Tão bem
Assim minha língua materna é o Português 
Que você com razão chama de Brasileira 
Mas minha língua paterna é o Inglês 
Nisso eu sou um cara super normal
Da geração Alfa Ômega
Porém a configuração dos ônticos 
Exigiria que doravante os infantes aprendessem
Desde cedo o Russo e o Chinês 
Mas sempre juntos 
Com o Português e o Inglês 
Porque daqui a pouco este bom povo
Será a bola da vez

Мое обучение

O título se lê assim: maiô abutchênie com a letra буква ч (tche)
O significado é: minha formação mas na verdade eu iria contar
Um lance um relance uma coisa bem banal das recordações
Do grande poeta mundial Lui Morais que é
Великий мировой поэт

Mas aí me perguntei por que um aedo de tanta expressão
Nos versos no pensamento na emoção se dá ao luxo
De pausar por meses seus livros que tratam dos assuntos
Mais relevantes ao espírito humano e fica assim
Escrevendo versos sobre acontecimentos simples
Da sua infância e da sua adolescência?

Вот загадка:
Eis os mistérios da poesia
E da filosofia
E da ciência

terça-feira, 14 de outubro de 2025

No gossips

Deram o prêmio Nobel de Literatura pro Bob Dylan
E ele esnobou tipo não deu a mínima nem foi buscar o prêmio
Isso parece que acontece; eu acho que faz sentido, a princípio
Considerar letristas como poetas, ou algo análogo a eles,
Mas na minha própria experiência laboratorial
Quando eu os tratei assim, eles foram também
Desdenhosos/cretinos;
Convidei o poeta A pra fazer uma palestra na Universidade
Onde eu estudava Letras Português Grego,
Ele falou que topou por telefone
Quando chegou em cima da hora falou que não iria
Mandou o poeta B - os três no caso eram letristas
Da música popular - o qual convidou o poeta C
Esses dois na verdade nem bons nem ruins
Mas interessantes pelas atitudes
Pelos cantores e parceiros
Essas coisas assim
Os quais ficaram a palestra inteira
Debochando e agredindo
A Faculdade que os abrigou pra falar
E os alunos que estavam ali pra dialogar
O que não foi proposto ou aceito por eles
E o poeta de verdade que os convidou
Por isso eu fiquei com mais certeza ainda no caminho
Luminoso e infinito da poesia
Sem ligar pra fofocas
No gossips, guria

Sim mensagem

Sério
Eu com dezessete anos fazendo o curso pré-vestibular Miguel Couto Bahiense na Galeria do Oxford no Méier à tarde
Ao mesmo tempo em que pela manhã cursava o terceiro ano do segundo grau no Colégio Pedro II Bernardo de Vasconcelos na Marechal Floriano
Eu lia o tempo todo que podia nos ônibus quando ia ao banheiro antes durante depois do almoço e até quando dormia
Principalmente livros de vulgarização científica tipo A Evolução da Física de uns certos Albert Einstein e Leopold Infeld
E ficção científica tudo em que conseguia colocar a mão os pés e os olhos qualquer autor mas principalmente
Arthur C. Clarke e Isaac Asimov (pra isso eu me fiz sócio de duas bibliotecas públicas no Méier onde morava
Ao mesmo tempo, cada uma atendia a um lado da linha, mas eu não sei como dei um jeito de conseguir
Me associar às duas, e pegava vários livros por semana em cada uma) e sendo assim
Aconteceu um simulado de vestibular (que era integrado pra todas universidades públicas e privadas) no cursinho
E eu fiz pra Astronomia (também lia com entusiasmo as colunas relativas a esse assunto no Caderno b do Jornal do Brasil)
E fui aprovado com nota pra passar em primeiro lugar no simulado (eu fui o único que fiz pra essa carreira)
Mas com o desenrolar dos meses a astronomia foi ficando meio longe, eu não sabia explicar muito por que,
Mas era porque não era Alquimia, eu, que naquela época, estava lendo também o Jacques Sadoul e o Corpus Hermeticum
Aí então quando fui fazer vestibular à vera eu fiz pra Biologia na UFRJ, e consegui entrar, cheio de entusiasmo,
Fiquei dois períodos, entretanto, fui me decepcionando, sem saber direito a razão, as aulas teóricas e prática
Pareciam frustrantes, hoje eu sei que o motivo era que aquilo também não era a Alquimia
Então eu fui fazer Letras e depois Filosofia
E me tornei professor
O que eu acho que de qualquer modo eu seria
O que é muito legal
Eu gosto muito
Etc. e tal
E
Como uma atividade de prazer não obrigatória todavia satisfatória
Leio livros de Química e de outras matérias correlatas
(O que me lembra quando eu dava aula de Língua Portuguesa e falava sobre tudo
Filosofia, Literatura, Arte, História, Psicologia, Sociologia, Antropologia
E os alunos ficavam meio confusos e pra tentar normalizar a fala
Me perguntavam assim: isso está na matéria?
E eu falava pra eles: a matéria é tudo
Abrange o que quisermos pensar)
Então eu leio essas coisas hoje
Tipo brincar de estudar a Química
E mesmo sabendo que isso não sendo ainda
A Alquimia
Na verdade está bem longe
E ao mesmo tempo bem perto
Minha amiga

Não bobagem

É frequente eu admirar as pessoas
Por cada coisa boa que ela fale pense ou faça
No caso dos caras que fabricam arte
Então é muito forte
Esse amor pela música
Literatura poesia cinema dança
Teatro ou arte plástica
Que produzem
Porém há um monte de criaturas
Que é boboca
E fica seboso
Se o seu objet(iv)o
Faz sucesso
Se achando superior
Querendo desfazer
Das pessoas que o vêm
Reconhecer
Isso não empana a beleza daquilo bom que fazem
Porque a vida é potência
Não bobagem

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Código que barra

Qualquer coisa que a ciência e eu e você
Acharmos que sabemos sobre o Cosmos
E sobre o que é a história humana
Antes da pretensiosa história oficial
Está com certeza total
Mente errado
Etc. e tal

Mesmo assim vamos imaginar a aldeia
Na pré-história na qual o Homo sapiens
Começa a ser
Ali os criadores seriam notórios e evidentes
Não dava pra falsificar
O seu jeito de ser

Depois nessa sucessão de farsas
Pretensiosa/mente bem documentada
Pela historiografia adaptada
O mecenas tirano imperador
Rei e burguês
Sucessivamente
Na linha do tempo
Autenticava quem seria sábio
Filósofo
Artista
Pensador
Cada um no seu momento

Hoje esse papel de dar o aval
Falsificador pra quem é admitido
Como cientista artista filósofo escritor
(Quem ocupa o lugar do pensador)
Continua sendo desempenhado
Por quem nem pensa
Mas odeia o pensamento
O mais atuante é a media
Os outros só a seguem

Lux

O ser humano é macroscópica pessoa Enquanto ao mesmo tempo é o microcosmos Isso porque é fractal Temos e somos as homeomerias Com isso posso...