A gestação eu ouvia a maravilhosa algaravia que vinha
Esfericamente na energia que havia e há em torno a mim
Ab utero eu absorvia inclusive a nossa linda língua portuguesa
Junto com a voz e os carinhos de meu pai e minha mãe
Pra mim
Aos quatro anos na escola em que comecei
Eles também iniciaram-me na maviosa
Língua inglesa que já estava nas músicas e na tv
Foi um show uma alegria uma surpresa
Essa declinação dos sons e dos significados
A festa de palavras e mundos inventados/reais
Que as duas línguas faziam e fazem
Português e Inglês
Quando tinha catorze anos de idade
Meu colégio Pedro II nos dava Latim
Pra aprender no livro O Latim do Ginásio
De Vandick Londres da Nóbrega
Foi aí que eu me entusiasmei de verdade
Cheguei inclusive a começar a inventar
Uma língua que seria inventada por mim
Influenciado pelo fato o Neobratim
Depois com dezoito anos comecei Biologia na UFRJ
E aprendia tudo aquilo como se fosse um mundo de lajotas
De outra realidade ou universo que estão aqui e agora tipo:
O rei filósofo classificou de ordinária a fama do general espartano
Recurso mnemônico que a professora nos ensinou pra fixar:
Reino Filo Classe Ordem Família Gênero e Espécie
Era a imersão total na Língua e na Ciência e na Filosofia
Con/co/mit/ante/mente
Um exercício constante que nós fazíamos na sala
A mando dos professores especial/mente de Zoologia
Era desenhar a lápis num caderno de desenho os espécimes
Que observávamos a olho nu ou com microscópio
Ou na lupa e eu gostava muito de fazer esses desenhos
Um professor falou que eram bons e eu no futuro poderia
Ser ilustrador de livros de Biologia
Nessa época eu lia muita ficção científica
E inventei uma história com uma espécie encontrada
Catalogada como Homo aquatilis que vivia no mar
E que era nossa contemporânea com linguagem
E que era um ramo da evolução humana
Que em certa época se separou e foi pro oceano
Eu falava muito sobre isso em casa
E fiz vários desenhos detalhados que mostravam
O fenótipo e a fisiologia do Homo aquatilis
Tanto falei sobre e desenhei que um dia
Meu irmão que era dois anos mais novo
Me perguntou se aquilo era mesmo verdade
Depois transferi pro curso de Português-Russo da federal
Porque a Biologia me dava uma sensação de fantasia
De fugir do genuíno estudo que é a vida
Mas mais também, eu não era comunista
Naquele tempo estava acabando a ditadura
Era ainda meio fichável um cara estudar Russo
Eu não gosto nada de comunismo já não gostava
O que me encantava e encanta demais é a língua russa
(Flashforward: hoje leio essa bombástica
A Grammar of Modern Indo-European, by
Carlos Quiles e Fernando López-Menchero
Assim como Toward Proto-Nostratic
E A Comprehensive Introduction to Nostratic
Ambas obras escritas por Allan R. Bomhard
E a percepção plural e integrada do idioma
Deu múltiplos saltos se encheu de cores vivas
E aromas se integrando plena/mente no pleroma
E se fez estereofônica)
Dois anos depois fiz prova pra Português-Grego na UERJ
Estudar Grego foi assim como acessar o universo
Nas suas múltiplas camadas e ainda
Presenciar o núcleo energético
Que pulsa e vibra e faz e traz e pancalibra
E é eidético
Ao mesmo tempo que é o mundo mais
Completo:
O pensamento e a existência
O ente e o ser e a essência
O mesmo afeto
Depois desse curso estudei Filosofia
E foi assim que tudo começou
E estou aqui