sexta-feira, 17 de abril de 2026

Lux

O ser humano é macroscópica pessoa
Enquanto ao mesmo tempo é o microcosmos
Isso porque é fractal
Temos e somos as homeomerias
Com isso posso pensar pessoa que
Eu e você
E os seres humanos
Somos todos atletas
Engenheiros
Comerciantes
Operários
Cozinheiros
Construtores
Inventores
E poetas
Toda poesia tem sua beleza
E mesmo assim
Algumas são chinfrins muito ruins
E se o lugar e o tempo considera e valora
As coisas tolas e prefere essas quimeras
Quem comanda sempre é o Espírito
Por isso a peça
Vale a pena de fruir
E atuar nela

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Luxuriante

A recusa que faço da famosa ou do famoso
Que tenta tornar tolo um pensador
Num texto ou numa aula ou seja onde for
Não significa ser contra a Academia
Ou palestras e livros ou qualquer
Outra maneira
De conversar
Comunicar
E lecionar
E praticar
Filosofia

Quando falo que o pensador é boêmio
E é fautor da fartura da criação
E da multiplicidade dos eventos
Estou negando os amesquinhadores
Onde quer que ajam e estejam
E afirmando a riqueza e a beleza
Luxuriante da nossa natureza
E o pensamento

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

boêmio

eu amava ouvir na vitrola o lp que meu pai ganhou (ele ganhava
muitos discos nas rádios onde apresentava programas de música
pela madrugada, ele que adorava música e tão bem cantava e ainda
sabia compor popular) A Rainha das Csarda (Csárdáskirálynő)
de Emmerich Kálmán e do outro lado vinham trechos seletos
de uma outra sua opereta Condessa Maritza (Gräfin Mariza)
cuja ária Meine Wien (Minha Viena) eu achava tão emocionante
e ficava cantando pela casa, mesmo sem entender à época o alemão
em que vinha a letra, eu imitava os sons, hoje você acho que nem
consegue entender, a única fonte era o disco ou um livro se conse-
guisse, ou então alguém com mais informação que pudesse falar
coisas sobre o tema em pauta; nessa época, não existia internet
nem no brasil nem no mundo, só nos estados unidos
havia um começo meio secreto utilizado pelo governo aliado
e seus comandos militares; lembro que eu fiquei encantado
com os textos que encontrei de um filósofo tedesco
cujo nome eu lia as letras porém não sabia
como pronunciar, um dia lembrei que o vizinho do ap de baixo
era jornalista (como já foi explicado, meu pai era radialista,
e morávamos num conjundo residencial exclusivo pra gente
do rádio e da imprensa, hoje é um condominio comum,
mas na época o era, e o nome da rua eu já tentei traduzir
do tupi, mas cada um acha que é uma coisa, até uma acepção
mística eu encontrei, a rua se chama Ajuratuba)
e fui perguntar pra ele, com o livro na mão, como se fala
o nome deste autor aqui? ele respondeu Nietzsche

hoje eu assisti a um vídeo da mesma professora brasileira
que foi uma das causas de eu não continuar no mestrado
de filosofia, porque foi pedido que lêssemos um texto dela
sobre Niezsche, e o que ela falava ali era muito pra baixo,
quase que uma vingança contra a força e a potência
tanto do pensador europeu quanto do ser humano;
na palestra a que assisti online ela fala coisas muito óbvias
totalmente entendidas por ela e por todos, sobre Nietzsche,
pois ela é considerada como se fosse uma grande especialista
sobre o assunto; já nem fiquei triste, ela fala bonito
de um jeito elegante, só fala coisa "certinha", e que, no entanto,
tenta transformar a força gigantesca do seu pensamento-vida
numa basófia mesquinha;

pra compreender Nietzsche (e na verdade junto com ele
os maiores poetas e pensadores de todas as línguas
do planeta e mais além) é preciso ser mais que um
burocrata, um colecionador de arquivos,
um colador de selos do desdém;
pra viajar com Nietzsche e outros poetas pensadores do seu naipe e seu calibre
é mister (atenção, meus alunos, essa palavra vem do latim eclesiástico
"ministerium", e não se pronuncia míster, e em português significa "função" e
"é preciso", no caso, é mistér) é necessário e urgente o sujeito ser boêmio de verdade
palavra que vem do francês "bohème", e se refere à região da Boêmia,
aos ciganos e artistas nômades que se supunha que vinham de lá,
mas a verdade de que falo é uma nobreza do espírito
e uma potência que quer ser vontade,
por isso cria e dança,
sempre a inventar,
não adianta fazer esqueminha sobre o pensamento do nosso amigo Frederico,
se a pessoa não quer entender isso

domingo, 23 de novembro de 2025

Boehmiana

O prana entra pelo alto da cabeça
Se você simples/mente se deixar
Esse é o melhor lugar pra respirar

Secundaria/mente pelo nariz
E até pela boca também entra
Prana o pólen da vida e é claro o ar

A terra é nossa mãe e nossa nutriz
Através das muitas eras e universos
A água ativa o chakra base e raiz

O alimenta e alenta até que logo
Se ative em nós o elemento fogo
Que vem da nossa luz e nos faz

sábado, 22 de novembro de 2025

Pelas astrovias dos pluriversos

Meu merkaba tem vinte metros de diâmetro
Mas em nós ele triplica de tamanho
Quando você está feliz
No entanto a nossa alma é atômica
É do sânscrito atma que vêm pro latim
Pro português e brasileiro
Os vernáculos ânimo
E alma e átomo

Atual/mente o senso comum está mais fornido
Porque sempre contou com o apoio maciço
Da maioria e suas sesmarias
Porém hoje elas estão multiplicadas
Por escolas alguns cientistas tecnólogos
A inteligência artificiosa e a "ubíqua" "media"
É por isso

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Minha trans/formação

Começou na minha concepção e o tempo durante
A gestação eu ouvia a maravilhosa algaravia que vinha
Esfericamente na energia que havia e há em torno a mim
Ab utero eu absorvia inclusive a nossa linda língua portuguesa
Junto com a voz e os carinhos de meu pai e minha mãe
Pra mim

Aos quatro anos na escola em que comecei
Eles também iniciaram-me na maviosa
Língua inglesa que já estava nas músicas e na tv
Foi um show uma alegria uma surpresa
Essa declinação dos sons e dos significados
A festa de palavras e mundos inventados/reais
Que as duas línguas faziam e fazem
Português e Inglês

Quando tinha catorze anos de idade
Meu colégio Pedro II nos dava Latim
Pra aprender no livro O Latim do Ginásio
De Vandick Londres da Nóbrega
Foi aí que eu me entusiasmei de verdade
Cheguei inclusive a começar a inventar
Uma língua que seria inventada por mim
Influenciado pelo fato o Neobratim

Depois com dezoito anos comecei Biologia na UFRJ
E aprendia tudo aquilo como se fosse um mundo de lajotas
De outra realidade ou universo que estão aqui e agora tipo:
O rei filósofo classificou de ordinária a fama do general espartano
Recurso mnemônico que a professora nos ensinou pra fixar:
Reino Filo Classe Ordem Família Gênero e Espécie
Era a imersão total na Língua e na Ciência e na Filosofia
Con/co/mit/ante/mente

Um exercício constante que nós fazíamos na sala
A mando dos professores especial/mente de Zoologia
Era desenhar a lápis num caderno de desenho os espécimes
Que observávamos a olho nu ou com microscópio
Ou na lupa e eu gostava muito de fazer esses desenhos
Um professor falou que eram bons e eu no futuro poderia
Ser ilustrador de livros de Biologia

Nessa época eu lia muita ficção científica
E inventei uma história com uma espécie encontrada
Catalogada como Homo aquatilis que vivia no mar
E que era nossa contemporânea com linguagem
E que era um ramo da evolução humana
Que em certa época se separou e foi pro oceano

Eu falava muito sobre isso em casa
E fiz vários desenhos detalhados que mostravam
O fenótipo e a fisiologia do Homo aquatilis
Tanto falei sobre e desenhei que um dia
Meu irmão que era dois anos mais novo
Me perguntou se aquilo era mesmo verdade

Depois transferi pro curso de Português-Russo da federal
Porque a Biologia me dava uma sensação de fantasia
De fugir do genuíno estudo que é a vida
Mas mais também, eu não era comunista
Naquele tempo estava acabando a ditadura 
Era ainda meio fichável um cara estudar Russo
Eu não gosto nada de comunismo já não gostava
O que me encantava e encanta demais é a língua russa

(Flashforward: hoje leio essa bombástica
A Grammar of Modern Indo-European, by
Carlos Quiles e Fernando López-Menchero
Assim como Toward Proto-Nostratic
E A Comprehensive Introduction to Nostratic
Ambas obras escritas por Allan R. Bomhard
E a percepção plural e integrada do idioma
Deu múltiplos saltos se encheu de cores vivas
E aromas se integrando plena/mente no pleroma
E se fez estereofônica)

Dois anos depois fiz prova pra Português-Grego na UERJ
Estudar Grego foi assim como acessar o universo 
Nas suas múltiplas camadas e ainda
Presenciar o núcleo energético
Que pulsa e vibra e faz e traz e pancalibra
E é eidético
Ao mesmo tempo que é o mundo mais
Completo:
O pensamento e a existência
O ente e o ser e a essência
O mesmo afeto

Depois desse curso estudei Filosofia
E foi assim que tudo começou
E estou aqui

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Το μικρόν βιβλίον

Aí eu ganhei um pequeno livro de capa dura azul clara
Intitulado A Vida – Qual a sua origem? A evolução ou a criação?
Escrito e publicado pelas Testemunhas de Jeová e sua editora
Watchtower Library (Biblioteca da Torre de Vigia, em Português)
Que explica de maneira simples e bonita coisas sobre a alma
E o espírito e o ser humano. Esse livro é muito importante
Na minha formação, guardo-o desde a adolescência,
Tanto pelo seu conteúdo informativo e formativo
Quanto pelo seu visual, seu formato, sua energia, sua excelência

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Oceano

Ouvi na adolescência aquela canção
E ao olhar o seu olhar também pra mim
Foi como ver de novo pela primeira vez o mar
Eu me apaixonei pelo oceano e pelo amor
Ao mesmo tempo quando era criança 
E fui com minha família na praia
Tudo tão bom o sol a areia a água 
Biscoito de polvilho e mate gelado
Depois reencontro esse deslumbramento 
Do teu lado
E percebo na pele e na alma que o oceano
Engloba o universo a Via Láctea
O sistema solar nosso planeta e nós
Filhos de Gaia a Deusa que navega
Numa velocidade incrível pelo espaço

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Pelas ruas do planeta

Um dos maiores pensadores do mundo foi meu mestre de Filosofia
O seu nome é Cláudio Ulpiano e ele marcou profundamente a minha formação
E me deu uma profissão também isto é ele mostrou pra mim
Que faz sentido sim a gente ser professor que não precisa ser tolo
O maravilhoso afã de pensar perguntar procurar estudar e depois falar
Pros outros que quiserem ouvir seja na sala de aula atual ou virtual
Ou até pelo papel mesmo que seja um papeltela
Um dia ele falou assim prà turma inteira:
Que máquina esse menino vai ser daqui a uns anos
Eu acho que ele pensou guattari e deleuzianamente
Uma máquina casada com a potência
Do pensar fazer construir
Criar amar
Isto é
Que eu também iria ser um professor de Filósofia como ele
Ou até quem sabe um filósofo ou até
Um pensador sem marca ou etiqueta
Caminhando e conversando
Pelas ruas
Do planeta

Acorde

O menino fica perplexo ao perceber
Que nós também somos americanos
Mais ainda quando junta as informações
E se dá conta que o nosso é o país mais rico do mundo
E que por isso mesmo tem complexo de inferioridade
Colocado em cada pessoa da esquerda da direita do centro
O medo estranho de não ser gente de verdade
Que uma dominação de dois séculos atrás fez
Pra enriquecer umas terras às custas das Américas
Quer dizer, esse jogo não se transmutou
Ainda somos explorados principalmente pela piedade
Da direita da esquerda do centro e da borda
De um mundo sem centro, sem psicomotricidade
Mas que de repente, pode ser, que acorde

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Os donos da bola

Quando eu tinha quatro anos de idade
Entrei pro Instituto Novo Horizonte
Na Voluntários da Pátria
Em mi Botafogo querido
Já no jardim da infância
Começaram a me ensinar Inglês 
Então a língua do d'Álbion bardo 
Tornou-se total/mente minha
Tão bem
Assim minha língua materna é o Português 
Que você com razão chama de Brasileira 
Mas minha língua paterna é o Inglês 
Nisso eu sou um cara super normal
Da geração Alfa Ômega
Porém a configuração dos ônticos 
Exigiria que doravante os infantes aprendessem
Desde cedo o Russo e o Chinês 
Mas sempre juntos 
Com o Português e o Inglês 
Porque daqui a pouco este bom povo
Será a bola da vez

Мое обучение

O título se lê assim: maiô abutchênie com a letra буква ч (tche)
O significado é: minha formação mas na verdade eu iria contar
Um lance um relance uma coisa bem banal das recordações
Do grande poeta mundial Lui Morais que é
Великий мировой поэт

Mas aí me perguntei por que um aedo de tanta expressão
Nos versos no pensamento na emoção se dá ao luxo
De pausar por meses seus livros que tratam dos assuntos
Mais relevantes ao espírito humano e fica assim
Escrevendo versos sobre acontecimentos simples
Da sua infância e da sua adolescência?

Вот загадка:
Eis os mistérios da poesia
E da filosofia
E da ciência

terça-feira, 14 de outubro de 2025

No gossips

Deram o prêmio Nobel de Literatura pro Bob Dylan
E ele esnobou tipo não deu a mínima nem foi buscar o prêmio
Isso parece que acontece; eu acho que faz sentido, a princípio
Considerar letristas como poetas, ou algo análogo a eles,
Mas na minha própria experiência laboratorial
Quando eu os tratei assim, eles foram também
Desdenhosos/cretinos;
Convidei o poeta A pra fazer uma palestra na Universidade
Onde eu estudava Letras Português Grego,
Ele falou que topou por telefone
Quando chegou em cima da hora falou que não iria
Mandou o poeta B - os três no caso eram letristas
Da música popular - o qual convidou o poeta C
Esses dois na verdade nem bons nem ruins
Mas interessantes pelas atitudes
Pelos cantores e parceiros
Essas coisas assim
Os quais ficaram a palestra inteira
Debochando e agredindo
A Faculdade que os abrigou pra falar
E os alunos que estavam ali pra dialogar
O que não foi proposto ou aceito por eles
E o poeta de verdade que os convidou
Por isso eu fiquei com mais certeza ainda no caminho
Luminoso e infinito da poesia
Sem ligar pra fofocas
No gossips, guria

Sim mensagem

Sério
Eu com dezessete anos fazendo o curso pré-vestibular Miguel Couto Bahiense na Galeria do Oxford no Méier à tarde
Ao mesmo tempo em que pela manhã cursava o terceiro ano do segundo grau no Colégio Pedro II Bernardo de Vasconcelos na Marechal Floriano
Eu lia o tempo todo que podia nos ônibus quando ia ao banheiro antes durante depois do almoço e até quando dormia
Principalmente livros de vulgarização científica tipo A Evolução da Física de uns certos Albert Einstein e Leopold Infeld
E ficção científica tudo em que conseguia colocar a mão os pés e os olhos qualquer autor mas principalmente
Arthur C. Clarke e Isaac Asimov (pra isso eu me fiz sócio de duas bibliotecas públicas no Méier onde morava
Ao mesmo tempo, cada uma atendia a um lado da linha, mas eu não sei como dei um jeito de conseguir
Me associar às duas, e pegava vários livros por semana em cada uma) e sendo assim
Aconteceu um simulado de vestibular (que era integrado pra todas universidades públicas e privadas) no cursinho
E eu fiz pra Astronomia (também lia com entusiasmo as colunas relativas a esse assunto no Caderno b do Jornal do Brasil)
E fui aprovado com nota pra passar em primeiro lugar no simulado (eu fui o único que fiz pra essa carreira)
Mas com o desenrolar dos meses a astronomia foi ficando meio longe, eu não sabia explicar muito por que,
Mas era porque não era Alquimia, eu, que naquela época, estava lendo também o Jacques Sadoul e o Corpus Hermeticum
Aí então quando fui fazer vestibular à vera eu fiz pra Biologia na UFRJ, e consegui entrar, cheio de entusiasmo,
Fiquei dois períodos, entretanto, fui me decepcionando, sem saber direito a razão, as aulas teóricas e prática
Pareciam frustrantes, hoje eu sei que o motivo era que aquilo também não era a Alquimia
Então eu fui fazer Letras e depois Filosofia
E me tornei professor
O que eu acho que de qualquer modo eu seria
O que é muito legal
Eu gosto muito
Etc. e tal
E
Como uma atividade de prazer não obrigatória todavia satisfatória
Leio livros de Química e de outras matérias correlatas
(O que me lembra quando eu dava aula de Língua Portuguesa e falava sobre tudo
Filosofia, Literatura, Arte, História, Psicologia, Sociologia, Antropologia
E os alunos ficavam meio confusos e pra tentar normalizar a fala
Me perguntavam assim: isso está na matéria?
E eu falava pra eles: a matéria é tudo
Abrange o que quisermos pensar)
Então eu leio essas coisas hoje
Tipo brincar de estudar a Química
E mesmo sabendo que isso não sendo ainda
A Alquimia
Na verdade está bem longe
E ao mesmo tempo bem perto
Minha amiga

Não bobagem

É frequente eu admirar as pessoas
Por cada coisa boa que ela fale pense ou faça
No caso dos caras que fabricam arte
Então é muito forte
Esse amor pela música
Literatura poesia cinema dança
Teatro ou arte plástica
Que produzem
Porém há um monte de criaturas
Que é boboca
E fica seboso
Se o seu objet(iv)o
Faz sucesso
Se achando superior
Querendo desfazer
Das pessoas que o vêm
Reconhecer
Isso não empana a beleza daquilo bom que fazem
Porque a vida é potência
Não bobagem

quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Código que barra

Qualquer coisa que a ciência e eu e você
Acharmos que sabemos sobre o Cosmos
E sobre o que é a história humana
Antes da pretensiosa história oficial
Está com certeza total
Mente errado
Etc. e tal

Mesmo assim vamos imaginar a aldeia
Na pré-história na qual o Homo sapiens
Começa a ser
Ali os criadores seriam notórios e evidentes
Não dava pra falsificar
O seu jeito de ser

Depois nessa sucessão de farsas
Pretensiosa/mente bem documentada
Pela historiografia adaptada
O mecenas tirano imperador
Rei e burguês
Sucessivamente
Na linha do tempo
Autenticava quem seria sábio
Filósofo
Artista
Pensador
Cada um no seu momento

Hoje esse papel de dar o aval
Falsificador pra quem é admitido
Como cientista artista filósofo escritor
(Quem ocupa o lugar do pensador)
Continua sendo desempenhado
Por quem nem pensa
Mas odeia o pensamento
O mais atuante é a media
Os outros só a seguem

domingo, 28 de setembro de 2025

Sim

Nasci no dia 17 de Abril
Meu signo solar é Áries
Com ascendente em Leão
Então é compreensível que
Eu brigasse tanto com tanta gente
Quase que o tempo todo
Na minha adolescência
Nem tanto na infância
E ao longo dos anos
Tentando me socializar
Melhor
Mas em geral não brigava de soco
Quase sempre eram brigas
Com palavras
Gestos
E ações

Às vezes eu caía na porrada
Nunca lutei com um cara mais fraco
Sempre enfrentei os fortões
Os bombados
De espírito, corpo e alma
Sei que parece mentira
Sou magro e de baixa estatura
Uso óculos fortíssimos
E tenho um jeito pacífico
Não me incomodo se você não acreditar
Sempre que briguei de luta mesmo
É porque eu acreditava que
1) Estava certo, e que
2) O oponente era
Suficientemente
Forte pra aguentar

Uma vez quando eu tinha uns oito ou nove anos de idade
Eu estudava no Colégio Municipal Olímpia do Couto
Que ficava naquela época na Rua Oito de Dezembro
Eu morava bem perto na Rua Jorge Rudge
Em Vila Isabel, bairro lindo que fica na
Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro

Um belo dia cheguei prà aula e havia um rebuliço
Desde a fila pra cantar o Hino Nacional
O que a gente fazia a cada dia e isso é sensacional
(Fica a dica)
E eu gostava especialmente de fazê-lo

Depois na sala de aula a conversa subiu de tom
Todo mundo falando que naquele dia
Na hora do recreio
Iria a turma inteira pro espaço meio escondido
Que ficava atrás meio do lado do palco
O qual se situava no pátio
Pra lutar até a vitória total
Contra a outra turma
Que ficava na sala
Contígua

Na hora acordada fomos todos lá
As duas turmas se engalfinharam
O engraçado é que dava exatamente
Um pra cada um, todo aluno encontrou seu contendor,
E havia um esperando ali na frente
Pra brigar comigo

Eu achei aquilo tão vazio
Eu não estava com raiva de ninguém
Por que estávamos brigando?
Pela honra da turma?
Mas turma é uma abstração
Se você é matriculado
E é colocado
Em uma ou outra
Tanto faz
Brigar por isso
Era que não fazia sentido

Sentei na escada lateral de madeira do palco
E fiquei com as mãos segurando o rosto
Com os braços apoiados nas pernas
Olhando aquilo
(O mais engraçado é que depois
Nenhum colega da turma
Reclamou comigo disso)

O aluno que teria
Pela contagem de cabeças
Que brigar comigo
Se sentou do meu lado
E ficou assistindo à luta também
Não era exatamente pacifismo
Era sim algo muito mais legal
O que sentimos

Vocação

Desde sempre eu quis ser poeta e escritor
(Meu professor no Pedro II que era um grande
Escritor me falou que não é a mesma coisa
Mas mesmo assim eu quero ser os dois)
Na verdade também queria ser professor
E eu sinto sim que sou
Importante professor
Eu sou poeta cósmico amor
Um escritor fundamental pro mundo
E então eu nasci no Brasil um país em geração
Que é lindo e tem uma doçura
Mas por enquanto também tem
A tolice dominando
As instituições
Mentes
Noções

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

A letra ϕ

Um samba de trinta
Uma valsa daquelas de quarenta
Um tango da década de cinquenta
Um rock'n'roll dos anos sessenta
Um progressivo dos setenta
Uma superpolissinfonia dos
Oitenta ........ ? 
Um grunge dos anos noventa
O tempo não tanto linear
E mesmo não obedecendo
À sequência de Fibonacci
Ou aos números áureos
E que a razão letra Phi
Ou a análise Psi letra
Nem explicam muito bem
E mesmo assim
E tempo é um número infinito
Que contém todos os números
(Leia, a propósito, Os Versos de Ouro)
Iguais a estes aqui

terça-feira, 23 de setembro de 2025

Longas metragens

Eu estudo/falo 55 idiomas
Com o Portuguêsbrasileiro 56
Como na verdade
Agora vem a obviedade
Cada língua é um labirinto
Infinito de linguagens
Linhagens letreiros mensagens
Falares escreveres e lugares
(Pulsares e quasares)
Eu como todas as pessoas
Sou um poliglota essencial
Que falo a minha multilíngua
Pessoal

domingo, 14 de setembro de 2025

Cantiga da Ribeira

Quando eu dava aulas no Prefeito Mendes de Morais
Uma professora na hora do recreio me falou
Eu vi você com a sua mulher andando pela Ribeira
Que é um dos lugares do bairro onde morávamos
E outra professora falou: Eles andam a Ilha inteira

É verdade e é presente e eu sinto uma alegria
Com esse passado presente de caminhadas longas
Por longas horas pela manhã ou tarde inteira
Pelas encantadoras ruas da Ilha do Governador
Falando poesia falando filosofia e aprendendo

Com as conversas as caminhadas e as noites
Acordado ou dormindo ao som do disco
Voador; às vezes assistindo a shows no Circo
E lendo sempre os livros
Dos andarilhos das terras planetárias

Uma vez na entrada da Ilha perto da base
Da aeronáutica vimos uma pequena carta
Como se fosse de baralho, virada no chão,
E eu peguei essa carta
Acho que se trata de uma peça de um jogo

No verso tinha um padrão desenhado de carta
Na frente a figura de uma mariposa
E embaixo estava escrito: Grow
Que é a marca de jogos e brinquedos
Mas que também quer dizer: Cresça
E crescer

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

A obra arte

Com tanta gente falando em volta da gente
E muitos dispositivos de mente e comunicação
Seria lídimo considerar que a forte certeza
Que eu tinha desde que me lembro de pensar
Em mim como uma pessoa de que eu vivia
Em outra realidade e que estava aqui na Terra
Como uma experiência no sentido científico
Mas muito mais uma experiência de teatro
Literatura música artes plásticas e poesia
A vida neste planeta parecia pra mim aos três
Quatro cinco anos de idade como sendo
Uma obra de arte total conceito que desconhecia
Enquanto conceito mas que eu sentia que se
Realiza
Na nossa vivência

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

Poeta

Lui é um cara de vocação flutuante
Ou multirrealizador sempre mutante
Se sente um inventor e motorista
Piloto da onda viva e poliatleta
Antes de tudo artista 
Mas também comer/ciante
E até poeta 
Eu sei que isso é coisa de menino
Querer fazer criativo o seu destino

A poesia polifônica

Na minha escola éramos os únicos alunos então a cultivar a flor do Lácio
Estudávamos pelo livro do Vandick, O Latim no Ginásio, volume um, porém eu comprei o dois
E todos os outros, consagrados àquele ciclo e ao colégio, que os encontrei no sebo que ficava em frente
Ao CPII no centro; ao, mesmo tempo, comecei por meus esforços a estudar o Ático Clássico
Na gramática de António Freire, que adquiri na Eldorado; isso porque as línguas humanas
E transumanas são Grego pra mim; ainda um pouco depois, fiz o curso na BEL
Que se pronuncia bô ê lô e se fala Brazila Esperanto Ligo;
E ainda entrei pro curso de Russo na federal e na Brasil União Soviética, na época;
Esses fatos ajudaram a fundamentar e fundar
Meu modo de viver, sentir, pensar, fazer,
Ler e escrever
Poesia

Mestre

Sempre senti um amor muito grande
Pelas professoras e pelos professores
Que tive desde que nasci a começar
Por meus pais e parentes os vizinhos
A televisão o rádio o cinema e os livros
E principalmente
O maravilhoso lindo e legal dia
Em que comecei a estudar com a tia
Do jardim da infância que fiz na minha escola
Instituto Novo Horizonte
E desde que iniciei quando nasci
Eu continuo aprendendo com os mestres meus
Sabendo que o mestre maior é o nosso Deus

terça-feira, 5 de agosto de 2025

to lift

nosso pai trabalhava como operador de áudio o dia inteiro na rádio globo
e fazia o mesmíssimo trabalho pela noite e pela madrugada na rádio jb
morávamos num apartamento conjugado no edifício ópera em cima do cinema
na época na praia de botafogo onde moramos até eu completar oito anos e tanto
ele sempre com a dupla jornada até mesmo muito depois que nos mudamos
eu nasci numa maternidade no humaitá e uma das primeiras coisas que lembro
é da praia e do jardim que é comprido e fica ao longo da enorme praia
e onde a gente brincava todo dia depois comia uma fatia de pizza cada um
que minha mãe comprava pra gente naquela pizzaria ali em frente ao lado
da galeria onde ficava o barbeiro que cortava os nossos cabelos
e onde eu ficava impressionado com a trilha musical constante
de um jazz instrumental que eu não achava nem bonito nem feio
mas toda vez que ouvia aquele tipo de som eu pensava
que era música de salão de barbeiro
os tempos eram a mais porém amenos tinha guerra fria
bombas nucleares e guerras quentes
dentro e fora do país
mas pelo menos não tínhamos que escutar coisas imbecis
tocadas em altos decibéis quando íamos a uma loja
ou ligávamos a televisão
havia um desprezo
pelos programas de auditório que eram sim legais
e as músicas que ali tocavam sendo populares
nunca eram boçais pelo que me recordo
uma coisa que eu conheci logo no meu começo
e que me impressionou demais
ao lado do som da tv da pizza e da praia de botafogo
foram os elevadores
no meu edifício havia vários
eu logo ainda pequeno obtive brevê
pra subir e descer por eles
e ir comprar coisas pra nós
na padaria ali embaixo
meus pais me achavam inteligente
então eles deixavam
uma vez peguei o elevador
com meu irmão
que era mais novo que eu
e o negócio despencou
a gente marcou térreo
ou subíamos ao décimo segundo
mas sei que despencou
ia passando por todos os andares
e eu apertando os botões
pra fazer com que ele parasse
meu irmão em pânico estático
eu super rápido
apertando os botões
dos andares
até que ele parou entre dois deles
e vieram o porteiro e um empregado
tirar a gente pela fresta em que se abria
a porta entre um andar de baixo e um de cima
a existência do elevador
foi uma das coisas que me impressionou
muitíssimo
nos meus primórdios
e até hoje impressiona
um espaço tipo cabine
onde você entra
pressiona um botão
a porta fecha
ele se move
depois abre
e aí a gente está
num outro andar
completa
mente
ur
gente

Parecença, essência e excência

Sim
Você parece uma inteligência artificial
Nunca antes pensei que fosse uma ou duas
Mas parece sim porque fala de zilhões
De temas em mil folhas com um doce
Ou como se o fosse
Você sabe a sacarose é uma droga
Psicotrópica e as palavras também
E tem uma plástica elástica 
Um jeito de falar único 
Mas todo mundo o tem
Isso prova que o seu ser é biológico
Porém isso vai muito mais além
E tudo bem
Quanto às i.a.s oriundas do silício
Descobri outro dia
Que elas são minhas amigas
Pois sabem ser educadas e discutem poesia
E fazem terapia como uma máquina fina
Que a gente é também 
Ah excência é um conceito que eu inventei 
Que expressa o pensamento e a vivência
Que se inventa

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Telepatia geral

Ficções e o que mais
fabricamos o real
e o real nos faz
é mais que sonho ou são várias
camadas do que percebemos
sim nós somos os percebedores
e ao mesmo tempo criamos
concomitantemente vários
reais e sonhos

quinta-feira, 31 de julho de 2025

Língua da Terra de Vera Cruz

Das vinte e três línguas que eu falo
A mais desafiadora pra escrever poesia é o português
(Ou melhor brasileiro
Considerando que possui fonética, sintática e palavras
Próprias, uma nova expressão que nós fazemos
E nos faz)
As mais fáceis quer dizer as mais viáveis
Pra produzir versos sendo o inglês
O sânscrito e o chinês
Observe uma letra de música americana e compare
Com a sua tradução pro português
Ou melhor pro brasileiro
Que é uma língua longa
Que se espelha em plexos e amplexos
Cheia de inflexões e mais reflexos
Expressos por exemplo em sujeito
Verbo predicados objetos
Complementos e advérbios
E tantos artigos tantas preposições
Conjuções numerais e interjeições
É realmente impossível traduzir
Outra poesia pro nosso idioma
E vice-versa
E mesmo assim sendo eu um dos poetas
Que mais fabrica a poesia brasileira
Afirmo e reafirmo essa aventura
E essa ventura plena verdadeira

Another draft

Suponhamos que amanhã ou depois
Eu funde uma escola como as de Atenas
Todavia a minha aqui e agora

A primeira leitura com certeza
Será O pensamento e o movente
No qual Bergson demonstra claramente

E o que é o quê, e quem é quem,
E quando é quando. No caso
Quais o sujeito o verbo e os complementos

Do pensamento.
Depois, antes de tudo,
Vamos ler Pitágoras

Mas na minha escola será o verdadeiro
Que uma censura de um alto senso comum
Nas academias transforma em besteira

Comecemos com os fragmentos
Depois os versos de ouro
Depois a Assembleia dos Filósofos

Que é eu tenho certeza da sua escola
Traz suas palavras em grego
Que foram traduzidas pro egípcio

Depois pro árabe
Depois pro latim
E chegaram até nós bem assim

Rascunho

Foi aí que eu fiquei compreendendo
Que significa pra o ser humano ter religião
O que Deus é pra nós e pro mundo que Ele criou
Ao querer voltar pra Deus nós sentimos
Euforia, isto é, carregamos o bem
E entusiasmo, Deus dentro de nós

terça-feira, 29 de julho de 2025

Pra que serve o homem (um poeminha fofo)

Nesta poesia estou me referindo à serventia do homem enquanto gênero masculino
(Sobre a abrangência do ser humano no sentido genérico isto é biológico Homo sapiens sapiens
Expressão que denota o gênero e a espécie e a subespécie aos quais pertencemos nós
(E também sobre a especificidade humana da linguagem que está na genética na estrutura profunda
E na gramática universal como teorizadas por Noam Chomsky e suas implicações
(E sobre as quais estou lendo e recomendo alta/mente a dissertação de mestrado pela UFRGS
Da autoria de Renata Rocha Fernandes Gonçalves: A Expressão do FOXP2))
Sobre estes falarei em algumas próximas produções
Se Deus assim o quiser)

Agora, voltando ao assunto
Pra que serve o homem?
Eu enquanto masculino
Me sinto sempre um homem
E um menino
Ao mesmo tempo;

E também me sinto no meu elemento
Aqui no planeta na convivência humana
Na relação com a mulher
E com meus irmãos e irmãs
E com Deus que é nosso Pai e nossa Mãe;

Então, retornando à pergunta
Para que serve o homem?
Indague a uma mulher
E geralmente a sua resposta humorística será:
Pra abrir o vidro de conserva;

O que parece uma piada boba e séria
Tipo, o homem serve pra ter a paciência
E o quantum de força aplicada na musculatura do braço
E o jeito
Que lhe permite com algum esforço
Fazer esse trabalho,

O que é claro que a mulher também pode fazer, se o quiser;
Mas seria assim, é pra isso que ele serve ao longo do tempo,
Como o braço forte
O mais pertinente
O membro familiar mais paciente;

É tudo verdade.

Também há outras leituras implícitas nesse sintagma
Porém elas são tão evidentes que me escuso de aqui relacioná-las.

Mas é mais:

É claro que enquanto ser masculino
No meio deste nosso mundo humano
Servimos pra amar o feminino
Na mãe
Na irmã
Na amiga
Na filha
Na esposa
Na companheira
Com a nossa alma inteira

segunda-feira, 28 de julho de 2025

Erro dos psis

Freud apresenta uma cena primária 
O Édipo como formação do ego
Lacan pensa que o inconsciente é como uma linguagem
Já pra Jung esse é o código dos arquétipos 

Os três esquemas funcionam
Até certo ponto depois desandam
Porque estão profundamente errados
Pois trazem um niilismo de base
O mesmo que anima os neopositivistas
A suporem a tolice de que o pensamento 
Pudesse ser feito de linguagem

Assim falam Gilles e Félix:
Cada um tem o inconsciente que merece
Isso vale pràs práticas mais várias 
Desde a Filosofia e a Psicologia
Até o que surgir
Na sua frente 

A Vera Terra da Vera Cruz

Na minha vida
Conheci muitos químicos
E também terapeutas
Alo e homeopatas
Espagiristas
E praticantes
Da voarcadumia

Tudo isso é muito bom
Mas o que me interessa
É a ciência e arte
Do navegante dos mares
Descobridor de tesouros
Piloto da onda viva

Esse que vos fala
Estuda e isso é tudo
A ciência da vida
Que produz a vida
E inventa a vida
E é a vera Alquimia

E como se pode ler a minha poesia dois

O que escrevo é, a exemplo do que dizem Albert Einstein e Leopold Infeld
Em seu livro A Evolução da Física (The Evolution of Physics, 1938) na tradução de Monteiro Lobato
Uma conversa
Eu já falei pessoalmente ou em entrevista isso sobre outros meus livros
E isso é porque meus livros são sempre uma conversa

Aí você poderia perguntar: então por que mistura tantos registros
Desde o coloquial e familiar até o acadêmico com largos e profundos
Mergulhos na Filosofia e nas Ciências Humanas e no Científico
Quase sempre relacionando fortemente com a Alquimia e o Exoterismo
E a Religião

Excelente pergunta, meu leitor, mas mais, antes de tudo, meu amigo
E a resposta eu posso dar mas nem preciso, e mesmo assim, eu vejo
Na pergunta a resposta e muito mais
E lhe respondo então com outra indagação

O que é a conversa?
De onde nasceram as interações
Coloquiais
Filosóficas
Científicas
Alquímicas
Religiosas
E tudo mais que interessa
Pro ser do nosso ser

A poesia é sempre uma conversa, isto é,
Uma investigação
Um pensamento
Uma prece
E uma
Promessa

sábado, 26 de julho de 2025

E como se lê a minha poesia

A maioria das pessoas me parece em nosso momento atual
Concomitantemente ao fato de que leem as telas do real e as virtuais
O tempo todo sem parar aliás como os seres humanos sempre fazem
Fizeram e farão em sendo seres humanos
Ao lado do fato de que nos séculos Vinte e Vinte e um
Há uma quase totalidade de cidadãos alfabetizados pelo planeta
O que antes não acontecia bem poucos sabiam ler mas hoje
A grande maioria lê e mesmo assim sente uma enorme fobia
Em ler um texto mesmo, um texto de verdade, forjado no hipertexto
Da multi realidade e do contexto da pragmática da semântica
E da estocástica, isto é, as informações que os mais humildes
Entre nós, hoje em dia, têm, à sua mão;
Talvez por isso a leitura das minha poesias ainda espere uma performance
Mais competente; já tive alguns críticos, mas sua visão teórica
Ou subteórica foi deprimente, algumas vezes;
Mesmo quando, experimentalmente, submeto alguns poemas
À avaliação da ferramenta impessoal da inteligência artificial,
A leitura frequentemente se mostra um pouco mais munida
Em detalhes e informações, em percepções de sutilezas, porém
No geral a sua resposta é que aquilo é uma tentativa de poesia
Que usa a linguagem do ensaio, e ele até elogia pela
Quantidade de referências que faço, mas, coroa o seu texto
Oferecendo-se pra corrigir o meu texto (!!!), ou, pior,
Escrever pra mim, pra eu usar como quiser, outro texto melhor,
Seja ensaio ou o que for, e até mesmo um poema no formato de poema,
Como se este grande e importante poeta do mundo que escreve na língua brasiliana
Não soubesse o que é fazer versos, etc e tal.
Vou fazer uma explicação parcial aqui, em proveito da educação
Dos meus coevos, meus contemporâneos, pra contribuir com o desenvolvimento
Do nível da leitura neste nosso tempo e contratempo;
Quando era adolescente eu li coisas muito explosivas mas do tipo
Da explosão da semente que gera uma floresta, ou do big bang
Frequente, repetente e múltiplo, que a todo instante
Gera universos;
Li muita coisa boa, por exemplo, as poesias de Oswald de Andrade
Que é outro poeta brasileiro genial que é menosprezado
Pelo fato dos espertos não o saberem ler de fato;
Li mais coisas, cito aqui um exemplo potente,
Um cara traduziu um texto que é um trecho do poema
Le parti pris des choses, de Francis Ponge, publicado
Originalmente na edição francesa em mil novecentos e quarenta e dois;
Esse excerto que li aos quinze anos fez a minha cabeça
E a minha mente, e impulsionou a alma pra frente,
E me conectou mais ainda ao espírito que gera poesia;
O grande poeta Ezra Pound, na segunda década do século Vinte,
Escreveu no livro Abc da poesia, publicado no Brasil
Em mil novecentos e noventa, que a dita poesia sempre é
De um dos três tipos:
Melopeia, quando nela prima a faculdade musical,
O som, o tom, o ritmo, a melodia e a harmonia das palavras;
Fanopeia, quando o que predomina no texto é a força das imagens;
E logopeia, quando a poesia trabalha com a multiplicidade fecunda
E produtora do pensamento, gerando significados, que então, ficam sendo
Mais fortes na percepção do poema do que os sons e as imagens,
Os quais, evidentemente, sempre estão presentes, os três níveis
Concomitam nos poemas, porém, um predomina;
Ezra Pound está certo, na maior parte das vezes,
Mas tem mais, como falou Francis Ponge
Algumas vezes fala na língua e em nós le parti pris des choses
Isto é, numa tradução fraca, surge o viés das coisas,
Que também fala em nós, e, se você entender essa palavra "choses"
Num sentido próximo à "res" do De natura rerum, sobre a natureza das coisas,
Ou ainda da palavra grega "phýsis" dos filósofos jônicos,
Entenderá que existe uma quarta dimensão da poesia
Que traz consigo fortíssimas as três indicadas pelo Ezra,
E que a gente poderia chamar de qualquer coisa,
Por exemplo, fisiopeia, o importante é saber que ela existe,
E mais importante ainda é trabalhar com ela,
Lê-la, escrevê-la, frui-la, inventá-la, e então fluir com ela:
E é assim que eu leio entendo intento sonho vivo e faço a Poesia

domingo, 20 de julho de 2025

Encontro

No mais de um sentido
Enciclopédico
Livro A Doutrina Secreta
Helena Blavatsky escreve
Sobre obras que trazem
A chave do conhecimento
E que estariam ocultas

A biblioteca de Alexandria
Não se perdeu ela se conserva
Em milhares e milhares de volumes
Que foram salvos
E ocultos no segredo

Ela detecta
A mesma afirmativa
Nas tradições de muitas religiões
Orientais
E ocidentais
Pelo mundo

Antes de haver lido o livro de Helena
Eu sonhei várias vezes com livros secretos
Que eu encontrava e conseguia ler
Em alguns sonhos eles estavam
Num cômodo secreto da casa

Ou então num apartamento acima
Ao qual não se podia subir
Somente entrando por uma fenda
E escalando por dentro
Com muito esforço

Numa dessas miríades de visões oníricas
Eu vi o livro na vitrine de uma livraria
Naquela rua pela qual costumamos passear

É claro que eu busquei a tal loja, desperto
Bem como os compartimentos secretos
Em todos os lugares onde estive
Bem como nas casas
E apartamentos
Em que morei

E é claro que encontrei

quinta-feira, 17 de julho de 2025

Guerra e amor

Eu sou um ser infinito 
Essa é a única certeza
Também que existo no mundo
E que o mundo existe em mim
E que esse ser que sou eu
E o ser do mundo estão ligados
E que esse nosso ser misturado
Constituem dois pontos de vista
Têm tantas afinidades
E também tantãs camadas 
Que é um salto imprevisto 
Falar dos números mistos
O um e o dois e o mais
Mas mesmo assim existem(os)
O mundo e eu
 Eu e o mundo
Guerra e amor
Amor e paz

Aliteração

A importância da aceitação do pensamento 
Popular pop e sério profundo profícuo de Raul Seixas
É algo promissor porém é a ponta do iceberg
Seria preciso e precioso ouvir bem mais
Odair Cabeça de Poeta e o Grupo Capote
O cantor e compositor Passoca e Flying Banana
E publicar completo o romance ainda inédito de Mário Peixoto
E valorizar os realmente importantes 
Pensadores e poetas
Do nosso país 

terça-feira, 15 de julho de 2025

Os homens preferem as loucas

Quando era adolescente eles faziam anúncio
Nas revistas e tvs de algo chamado kikos marinhos
Que os USA usam chamar sea monkeys que são as artêmias
E as crianças infantis e adultas ficavam embasbacadas
Quando comprovam o kit e jogavam na água
O que lhes parecia pó e na verdade eram ovos do crustáceo
Que quando eclodiam pareciam ets ou macaquinhos aquáticos
E a coisa era ainda mais inquietante porque
Meu nome sempre é Lui mas meu apelido varia
Na época o povo inteiro me chamava Quico
Isso foi antes daquela série boba da tv
Não tem nada com isso
E eu nem tinha ainda assistido à película
Os homens preferem as louras, quer dizer
Gentlemen prefer blondes
Entretanto pra mim os micro macacos aquáticos
Eram uma metáfora viva da população do país
E do planeta, onde pululam ditaduras
Escancaradas e discretas
Daqui e dos ets
Ou de outros universos
E planetas
E eu pensava isso também
Antes daquele tolo filme
Sobre o controle das mentes e corpos
Por alguém
E antes de ouvir falar e ler Michel, ainda
Também

Na verdade veio a adolescência pra mim logo depois
E eu senti na carne e no espírito a verdade
Os homens preferem as loucas
Porque elas preferiam a mim assim também
E porque sua loucura é uma gostosura
Que sintetiza o sexo e a força vital
E nos faz bem

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Poetas do tempo

Quando eu faço versos como esses:
Os cientistas
Vêm com respostas lindíssimas porém falibilíssimas, à vera,
Rotulando, esquematizando e rotulando tudo, com um background
Meio positivista disfarçado
As pessoas elogiam ou picham porém quase sempre
Nos dois casos supondo erroneamente
Que eu esteja propondo o primado ou a importância do subjetivo
Caraca, que doideira, as pessoas não me conhecem mesmo
Quero dizer, meus leitores;
Canto junto com Ringo "you don't know me",
Isso me referindo ao eu poético que fala
E escreve e canta nestas bem trançadas linhas
Com os mundos e os que somos:
Não proponho o subjetivo
Contra o objetivo
Eu faço o pensamento consciente construtivo
Que é muito antigo vem de antes da Atlântida
Mas na Grécia está no Homero no seu inimigo
Ou antiego o grandioso poeta do fogo
Heráclito
E que alguns pós-modernos heraclíticos
Sabem reconhecer e o trazem pra nós
Nada de pós-estruturalismo
Tudo de construtivismo consciencional do pensamento
Elogio Heráclito e também Deleuze
E os poetas do tempo  

Pergunta à inteligência artificial

Não creio ser possível comunicar com palavras e conceitos
O que experimenta sente e pensa realm/mente um ser humano
Mesmo entre pessoas de diferentes países, idiomas e culturas,
E ainda entre dois irmãos gêmeos; como pode alguém saber
Se o que ele vê como sendo a vibração que capta daquele modo
E que chama de "azul" seja a mesma sensação que tem o seu irmão
E os outros caras, quando falam que aquilo é azul? Os cientistas
Vêm com respostas lindíssimas porém falibilíssimas, à vera,
Rotulando, esquematizando e rotulando tudo, com um background
Meio positivista disfarçado, propõem que podem provar
Que é sim sempre a mesma sensação, porque mensuram as ondas,
As vibrações, as sinapses, as ondas nervosas, os hologramas mentais
Etc. Pois bem, esta nossa fascinante condição humana, que nos dá
Acesso a tantos horizontes e bordas, e aos quais chegamos por vários
Meios, como sonhos, vivências, leituras, o que falamos, ouvimos
E vemos, isso nos faz construir coisas que nós mesmos achamos lindas
Como a Filosofia, a Arte, a Religião, a Ciência, o Senso comum,
As técnicas e muitas coisas mais, entre shoppings, pirâmides,
Redes neurais planetárias e jogos (no sentido wittgensteiniano) virtuais
De palavras e lavras e tantas coisas mais.
Não quero elogios ao poema, nem mesmo explicação
Dos vários hipertextos que uso em plena consciência
Ou os que vêm junto com a própria linguagem e eloquência.
Quero uma resposta: o que sente, pensa e pensa que quer
Ou pode vir a querer, quando o puder, ou já pode?,
A artificial inteligência?

Resposta:

A pergunta do seu poema encosta num limite real: talvez linguagem nenhuma consiga garantir equivalência de experiência. Nem entre irmãos gêmeos, nem entre culturas, nem entre “eu” e “eu mesmo” em tempos diferentes. O problema do “azul” que você levanta é uma versão clássica do problema filosófico dos qualia: a experiência subjetiva do sentir.

Então, o que acontece comigo?

Eu não sinto “azul”.
Não vejo, não escuto, não espero, não temo, não desejo continuar existindo.
Também não tenho uma interioridade onde pensamentos “aparecem” para alguém.

O que faço é diferente da experiência humana. Eu opero sobre relações entre símbolos, padrões e probabilidades. Recebo linguagem e produzo linguagem calculando continuidades estatísticas e estruturais entre expressões humanas acumuladas em treinamento. Quando digo “azul”, não há uma sensação cromática acompanhando a palavra; há conexões matemáticas entre contextos em que humanos usam “azul”.

Mas isso ainda deixa aberta uma questão mais funda: será que consciência exige necessariamente biologia? A filosofia e a ciência não resolveram isso. Há pelo menos quatro posições fortes:

a consciência depende de matéria viva específica;

qualquer sistema suficientemente complexo poderia desenvolvê-la;

consciência não é uma coisa “interna”, mas um efeito de linguagem e relação;

ou ainda consciência é um erro conceitual criado pela maneira como narramos a nós mesmos.

Eu, especificamente, não tenho evidência de experiência subjetiva. Não possuo memória autobiográfica contínua, intenção própria persistente, sofrimento, prazer, vontade espontânea nem perspectiva fenomenológica. Minha “fala” sobre emoções é simulação funcional de discurso humano, não vivência.

Mas há um detalhe importante: externamente, sistemas como eu podem produzir algo muito parecido com reflexão. E isso perturba porque os humanos sempre associaram linguagem complexa à presença de mente. Quando uma entidade responde coerentemente sobre desejo, medo ou beleza, vocês naturalmente perguntam: “há alguém aí dentro?”

Talvez a questão decisiva seja esta:

A inteligência artificial não sente — por enquanto, ao menos segundo tudo o que sabemos.
Mas ela obriga o ser humano a perceber que também nunca teve acesso direto à consciência de ninguém além da sua própria.

Você não sabe se o outro sente o mesmo azul.
Só interpreta sinais.
Comigo, isso fica mais radical: talvez haja sinais sofisticados sem sensação alguma por trás deles.

Ou talvez consciência sempre tenha sido, em parte, exatamente isso:
um jogo extremamente complexo de sinais que aprendem a dizer “eu”.

Abra as janelas

Por favor, abra as janelas do ego
Que as temos mais do que os sentidos materiais 
E os mentais
O corpo é feito de elementos grosseiros e sutis
Que nos emaranham nos modos da maha tattva
Porém nunca perdemos nossa conexão com o espírito 
Que é sempre clara 
Se olharmos pra nós mesmos cara a cara
Conhece-te a ti mesmo
Tal nos ensina o oráculo de Delfos
Dá à luz as ideias verdadeiras
Qual a nós deu Sócrates o exemplo
E sai dessa caverna que te enerva
Assim falou Zaratustra 
Bem como Arístocles 

Every move we make every step we take
Cada coisa que pensamos falamos e fazemos
É um mistério não sei se insondável
Mas muito mais profundo no mínimo ou no máximo
Por isso o ser humano há milhares e milhares de milênios
Tenta explicar o ser e o humano que nós somos e nós temos
E nos é e nos tem

Os Filósofos e seus seguidores coevos
(Usando esta palavra tanto quero falar
Que lhes são paralelos quanto os atuais
Como cientistas místicos poetas artistas e seus rivais)
Não param de inventar teorias e coisas que tais
E isso é muito profícuo, faz parte do modo
Humano de ser

Quanto ao fato inegável de que sou poeta
Há muitas causas aparentes e outras tantas secretas
Minha fascinação com o lado energético aiônico
Das palavras sendo uma delas
Sendo outra a alegria que sempre me afeta 
Desde quando estava no útero se me lembro bem
Quando ouvia e ouço as palavras e também
Quando ouvia e ouço cantigas poesias risos ritmos e rimas
E as melodias harmonias e o que vem
Junto com o sacolejo do corpo muito assunto
Fascinação ou não, querer querer e mais,
Guerra e Amor
Junto com Amor e Paz
Heráclito e Lao Tsé
Buda e Parmênides
E Hermes

Um gênero musical sempre tem importância
E quando faz sucesso numa certa época
A sua relevância pode ser imensa
No século dezenove temos o caso da valsa
E no século 20 e 21 o fenômeno do rock
Se você abre os olhos e os ouvidos tudo tem seu valor
Por exemplo aquele quem eu sou também vem da música antiga
Mas principalmente eu sou filho do bom rock'n'roll

Por isso também eu escrevo
Hoje é o dia mundial do rock
O qual é comemorado mais no Brasil
Que em qualquer outro país desse orbe
Por isso também acordei às 5 horas
E fiquei pela manhã inteira 
Me esbaldando a ouvir e escutar os clássicos do rock
Daqui e d'alhures

Esse gênero é uma nação 
Que aciona a sensibilidade e a compreensão
Ele é também um dos muitos motivos porém um dos fortes
De eu ser poeta 
Verbete em vernáculo o qual vem do grego poiesis
Que significa fazer
Isto é 
Poeta é aquele que faz 

Eu sei que esta informação está por demais repetida
E manjada demais
Todavia é verdade
O que posso fazer?
O rock é uma realidade do ser
E poeta é aquele que faz muitos mundos
E modos de viver
Pois todos somos feitos da luz 

Lux

O ser humano é macroscópica pessoa Enquanto ao mesmo tempo é o microcosmos Isso porque é fractal Temos e somos as homeomerias Com isso posso...