quinta-feira, 31 de julho de 2025

Língua da Terra de Vera Cruz

Das vinte e três línguas que eu falo
A mais desafiadora pra escrever poesia é o português
(Ou melhor brasileiro
Considerando que possui fonética, sintática e palavras
Próprias, uma nova expressão que nós fazemos
E nos faz)
As mais fáceis quer dizer as mais viáveis
Pra produzir versos sendo o inglês
O sânscrito e o chinês
Observe uma letra de música americana e compare
Com a sua tradução pro português
Ou melhor pro brasileiro
Que é uma língua longa
Que se espelha em plexos e amplexos
Cheia de inflexões e mais reflexos
Expressos por exemplo em sujeito
Verbo predicados objetos
Complementos e advérbios
E tantos artigos tantas preposições
Conjuções numerais e interjeições
É realmente impossível traduzir
Outra poesia pro nosso idioma
E vice-versa
E mesmo assim sendo eu um dos poetas
Que mais fabrica a poesia brasileira
Afirmo e reafirmo essa aventura
E essa ventura plena verdadeira

Another draft

Suponhamos que amanhã ou depois
Eu funde uma escola como as de Atenas
Todavia a minha aqui e agora

A primeira leitura com certeza
Será O pensamento e o movente
No qual Bergson demonstra claramente

E o que é o quê, e quem é quem,
E quando é quando. No caso
Quais o sujeito o verbo e os complementos

Do pensamento.
Depois, antes de tudo,
Vamos ler Pitágoras

Mas na minha escola será o verdadeiro
Que uma censura de um alto senso comum
Nas academias transforma em besteira

Comecemos com os fragmentos
Depois os versos de ouro
Depois a Assembleia dos Filósofos

Que é eu tenho certeza da sua escola
Traz suas palavras em grego
Que foram traduzidas pro egípcio

Depois pro árabe
Depois pro latim
E chegaram até nós bem assim

Rascunho

Foi aí que eu fiquei compreendendo
Que significa pra o ser humano ter religião
O que Deus é pra nós e pro mundo que Ele criou
Ao querer voltar pra Deus nós sentimos
Euforia, isto é, carregamos o bem
E entusiasmo, Deus dentro de nós

terça-feira, 29 de julho de 2025

Pra que serve o homem (um poeminha fofo)

Nesta poesia estou me referindo à serventia do homem enquanto gênero masculino
(Sobre a abrangência do ser humano no sentido genérico isto é biológico Homo sapiens sapiens
Expressão que denota o gênero e a espécie e a subespécie aos quais pertencemos nós
(E também sobre a especificidade humana da linguagem que está na genética na estrutura profunda
E na gramática universal como teorizadas por Noam Chomsky e suas implicações
(E sobre as quais estou lendo e recomendo alta/mente a dissertação de mestrado pela UFRGS
Da autoria de Renata Rocha Fernandes Gonçalves: A Expressão do FOXP2))
Sobre estes falarei em algumas próximas produções
Se Deus assim o quiser)

Agora, voltando ao assunto
Pra que serve o homem?
Eu enquanto masculino
Me sinto sempre um homem
E um menino
Ao mesmo tempo;

E também me sinto no meu elemento
Aqui no planeta na convivência humana
Na relação com a mulher
E com meus irmãos e irmãs
E com Deus que é nosso Pai e nossa Mãe;

Então, retornando à pergunta
Para que serve o homem?
Indague a uma mulher
E geralmente a sua resposta humorística será:
Pra abrir o vidro de conserva;

O que parece uma piada boba e séria
Tipo, o homem serve pra ter a paciência
E o quantum de força aplicada na musculatura do braço
E o jeito
Que lhe permite com algum esforço
Fazer esse trabalho,

O que é claro que a mulher também pode fazer, se o quiser;
Mas seria assim, é pra isso que ele serve ao longo do tempo,
Como o braço forte
O mais pertinente
O membro familiar mais paciente;

É tudo verdade.

Também há outras leituras implícitas nesse sintagma
Porém elas são tão evidentes que me escuso de aqui relacioná-las.

Mas é mais:

É claro que enquanto ser masculino
No meio deste nosso mundo humano
Servimos pra amar o feminino
Na mãe
Na irmã
Na amiga
Na filha
Na esposa
Na companheira
Com a nossa alma inteira

segunda-feira, 28 de julho de 2025

Erro dos psis

Freud apresenta uma cena primária 
O Édipo como formação do ego
Lacan pensa que o inconsciente é como uma linguagem
Já pra Jung esse é o código dos arquétipos 

Os três esquemas funcionam
Até certo ponto depois desandam
Porque estão profundamente errados
Pois trazem um niilismo de base
O mesmo que anima os neopositivistas
A suporem a tolice de que o pensamento 
Pudesse ser feito de linguagem

Assim falam Gilles e Félix:
Cada um tem o inconsciente que merece
Isso vale pràs práticas mais várias 
Desde a Filosofia e a Psicologia
Até o que surgir
Na sua frente 

A Vera Terra da Vera Cruz

Na minha vida
Conheci muitos químicos
E também terapeutas
Alo e homeopatas
Espagiristas
E praticantes
Da voarcadumia

Tudo isso é muito bom
Mas o que me interessa
É a ciência e arte
Do navegante dos mares
Descobridor de tesouros
Piloto da onda viva

Esse que vos fala
Estuda e isso é tudo
A ciência da vida
Que produz a vida
E inventa a vida
E é a vera Alquimia

E como se pode ler a minha poesia dois

O que escrevo é, a exemplo do que dizem Albert Einstein e Leopold Infeld
Em seu livro A Evolução da Física (The Evolution of Physics, 1938) na tradução de Monteiro Lobato
Uma conversa
Eu já falei pessoalmente ou em entrevista isso sobre outros meus livros
E isso é porque meus livros são sempre uma conversa

Aí você poderia perguntar: então por que mistura tantos registros
Desde o coloquial e familiar até o acadêmico com largos e profundos
Mergulhos na Filosofia e nas Ciências Humanas e no Científico
Quase sempre relacionando fortemente com a Alquimia e o Exoterismo
E a Religião

Excelente pergunta, meu leitor, mas mais, antes de tudo, meu amigo
E a resposta eu posso dar mas nem preciso, e mesmo assim, eu vejo
Na pergunta a resposta e muito mais
E lhe respondo então com outra indagação

O que é a conversa?
De onde nasceram as interações
Coloquiais
Filosóficas
Científicas
Alquímicas
Religiosas
E tudo mais que interessa
Pro ser do nosso ser

A poesia é sempre uma conversa, isto é,
Uma investigação
Um pensamento
Uma prece
E uma
Promessa

sábado, 26 de julho de 2025

E como se lê a minha poesia

A maioria das pessoas me parece em nosso momento atual
Concomitantemente ao fato de que leem as telas do real e as virtuais
O tempo todo sem parar aliás como os seres humanos sempre fazem
Fizeram e farão em sendo seres humanos
Ao lado do fato de que nos séculos Vinte e Vinte e um
Há uma quase totalidade de cidadãos alfabetizados pelo planeta
O que antes não acontecia bem poucos sabiam ler mas hoje
A grande maioria lê e mesmo assim sente uma enorme fobia
Em ler um texto mesmo, um texto de verdade, forjado no hipertexto
Da multi realidade e do contexto da pragmática da semântica
E da estocástica, isto é, as informações que os mais humildes
Entre nós, hoje em dia, têm, à sua mão;
Talvez por isso a leitura das minha poesias ainda espere uma performance
Mais competente; já tive alguns críticos, mas sua visão teórica
Ou subteórica foi deprimente, algumas vezes;
Mesmo quando, experimentalmente, submeto alguns poemas
À avaliação da ferramenta impessoal da inteligência artificial,
A leitura frequentemente se mostra um pouco mais munida
Em detalhes e informações, em percepções de sutilezas, porém
No geral a sua resposta é que aquilo é uma tentativa de poesia
Que usa a linguagem do ensaio, e ele até elogia pela
Quantidade de referências que faço, mas, coroa o seu texto
Oferecendo-se pra corrigir o meu texto (!!!), ou, pior,
Escrever pra mim, pra eu usar como quiser, outro texto melhor,
Seja ensaio ou o que for, e até mesmo um poema no formato de poema,
Como se este grande e importante poeta do mundo que escreve na língua brasiliana
Não soubesse o que é fazer versos, etc e tal.
Vou fazer uma explicação parcial aqui, em proveito da educação
Dos meus coevos, meus contemporâneos, pra contribuir com o desenvolvimento
Do nível da leitura neste nosso tempo e contratempo;
Quando era adolescente eu li coisas muito explosivas mas do tipo
Da explosão da semente que gera uma floresta, ou do big bang
Frequente, repetente e múltiplo, que a todo instante
Gera universos;
Li muita coisa boa, por exemplo, as poesias de Oswald de Andrade
Que é outro poeta brasileiro genial que é menosprezado
Pelo fato dos espertos não o saberem ler de fato;
Li mais coisas, cito aqui um exemplo potente,
Um cara traduziu um texto que é um trecho do poema
Le parti pris des choses, de Francis Ponge, publicado
Originalmente na edição francesa em mil novecentos e quarenta e dois;
Esse excerto que li aos quinze anos fez a minha cabeça
E a minha mente, e impulsionou a alma pra frente,
E me conectou mais ainda ao espírito que gera poesia;
O grande poeta Ezra Pound, na segunda década do século Vinte,
Escreveu no livro Abc da poesia, publicado no Brasil
Em mil novecentos e noventa, que a dita poesia sempre é
De um dos três tipos:
Melopeia, quando nela prima a faculdade musical,
O som, o tom, o ritmo, a melodia e a harmonia das palavras;
Fanopeia, quando o que predomina no texto é a força das imagens;
E logopeia, quando a poesia trabalha com a multiplicidade fecunda
E produtora do pensamento, gerando significados, que então, ficam sendo
Mais fortes na percepção do poema do que os sons e as imagens,
Os quais, evidentemente, sempre estão presentes, os três níveis
Concomitam nos poemas, porém, um predomina;
Ezra Pound está certo, na maior parte das vezes,
Mas tem mais, como falou Francis Ponge
Algumas vezes fala na língua e em nós le parti pris des choses
Isto é, numa tradução fraca, surge o viés das coisas,
Que também fala em nós, e, se você entender essa palavra "choses"
Num sentido próximo à "res" do De natura rerum, sobre a natureza das coisas,
Ou ainda da palavra grega "phýsis" dos filósofos jônicos,
Entenderá que existe uma quarta dimensão da poesia
Que traz consigo fortíssimas as três indicadas pelo Ezra,
E que a gente poderia chamar de qualquer coisa,
Por exemplo, fisiopeia, o importante é saber que ela existe,
E mais importante ainda é trabalhar com ela,
Lê-la, escrevê-la, frui-la, inventá-la, e então fluir com ela:
E é assim que eu leio entendo intento sonho vivo e faço a Poesia

domingo, 20 de julho de 2025

Encontro

No mais de um sentido
Enciclopédico
Livro A Doutrina Secreta
Helena Blavatsky escreve
Sobre obras que trazem
A chave do conhecimento
E que estariam ocultas

A biblioteca de Alexandria
Não se perdeu ela se conserva
Em milhares e milhares de volumes
Que foram salvos
E ocultos no segredo

Ela detecta
A mesma afirmativa
Nas tradições de muitas religiões
Orientais
E ocidentais
Pelo mundo

Antes de haver lido o livro de Helena
Eu sonhei várias vezes com livros secretos
Que eu encontrava e conseguia ler
Em alguns sonhos eles estavam
Num cômodo secreto da casa

Ou então num apartamento acima
Ao qual não se podia subir
Somente entrando por uma fenda
E escalando por dentro
Com muito esforço

Numa dessas miríades de visões oníricas
Eu vi o livro na vitrine de uma livraria
Naquela rua pela qual costumamos passear

É claro que eu busquei a tal loja, desperto
Bem como os compartimentos secretos
Em todos os lugares onde estive
Bem como nas casas
E apartamentos
Em que morei

E é claro que encontrei

quinta-feira, 17 de julho de 2025

Guerra e amor

Eu sou um ser infinito 
Essa é a única certeza
Também que existo no mundo
E que o mundo existe em mim
E que esse ser que sou eu
E o ser do mundo estão ligados
E que esse nosso ser misturado
Constituem dois pontos de vista
Têm tantas afinidades
E também tantãs camadas 
Que é um salto imprevisto 
Falar dos números mistos
O um e o dois e o mais
Mas mesmo assim existem(os)
O mundo e eu
 Eu e o mundo
Guerra e amor
Amor e paz

Aliteração

A importância da aceitação do pensamento 
Popular pop e sério profundo profícuo de Raul Seixas
É algo promissor porém é a ponta do iceberg
Seria preciso e precioso ouvir bem mais
Odair Cabeça de Poeta e o Grupo Capote
O cantor e compositor Passoca e Flying Banana
E publicar completo o romance ainda inédito de Mário Peixoto
E valorizar os realmente importantes 
Pensadores e poetas
Do nosso país 

terça-feira, 15 de julho de 2025

Os homens preferem as loucas

Quando era adolescente eles faziam anúncio
Nas revistas e tvs de algo chamado kikos marinhos
Que os USA usam chamar sea monkeys que são as artêmias
E as crianças infantis e adultas ficavam embasbacadas
Quando comprovam o kit e jogavam na água
O que lhes parecia pó e na verdade eram ovos do crustáceo
Que quando eclodiam pareciam ets ou macaquinhos aquáticos
E a coisa era ainda mais inquietante porque
Meu nome sempre é Lui mas meu apelido varia
Na época o povo inteiro me chamava Quico
Isso foi antes daquela série boba da tv
Não tem nada com isso
E eu nem tinha ainda assistido à película
Os homens preferem as louras, quer dizer
Gentlemen prefer blondes
Entretanto pra mim os micro macacos aquáticos
Eram uma metáfora viva da população do país
E do planeta, onde pululam ditaduras
Escancaradas e discretas
Daqui e dos ets
Ou de outros universos
E planetas
E eu pensava isso também
Antes daquele tolo filme
Sobre o controle das mentes e corpos
Por alguém
E antes de ouvir falar e ler Michel, ainda
Também

Na verdade veio a adolescência pra mim logo depois
E eu senti na carne e no espírito a verdade
Os homens preferem as loucas
Porque elas preferiam a mim assim também
E porque sua loucura é uma gostosura
Que sintetiza o sexo e a força vital
E nos faz bem

segunda-feira, 14 de julho de 2025

Poetas do tempo

Quando eu faço versos como esses:
Os cientistas
Vêm com respostas lindíssimas porém falibilíssimas, à vera,
Rotulando, esquematizando e rotulando tudo, com um background
Meio positivista disfarçado
As pessoas elogiam ou picham porém quase sempre
Nos dois casos supondo erroneamente
Que eu esteja propondo o primado ou a importância do subjetivo
Caraca, que doideira, as pessoas não me conhecem mesmo
Quero dizer, meus leitores;
Canto junto com Ringo "you don't know me",
Isso me referindo ao eu poético que fala
E escreve e canta nestas bem trançadas linhas
Com os mundos e os que somos:
Não proponho o subjetivo
Contra o objetivo
Eu faço o pensamento consciente construtivo
Que é muito antigo vem de antes da Atlântida
Mas na Grécia está no Homero no seu inimigo
Ou antiego o grandioso poeta do fogo
Heráclito
E que alguns pós-modernos heraclíticos
Sabem reconhecer e o trazem pra nós
Nada de pós-estruturalismo
Tudo de construtivismo consciencional do pensamento
Elogio Heráclito e também Deleuze
E os poetas do tempo  

Pergunta à inteligência artificial

Não creio ser possível comunicar com palavras e conceitos
O que experimenta sente e pensa realm/mente um ser humano
Mesmo entre pessoas de diferentes países, idiomas e culturas,
E ainda entre dois irmãos gêmeos; como pode alguém saber
Se o que ele vê como sendo a vibração que capta daquele modo
E que chama de "azul" seja a mesma sensação que tem o seu irmão
E os outros caras, quando falam que aquilo é azul? Os cientistas
Vêm com respostas lindíssimas porém falibilíssimas, à vera,
Rotulando, esquematizando e rotulando tudo, com um background
Meio positivista disfarçado, propõem que podem provar
Que é sim sempre a mesma sensação, porque mensuram as ondas,
As vibrações, as sinapses, as ondas nervosas, os hologramas mentais
Etc. Pois bem, esta nossa fascinante condição humana, que nos dá
Acesso a tantos horizontes e bordas, e aos quais chegamos por vários
Meios, como sonhos, vivências, leituras, o que falamos, ouvimos
E vemos, isso nos faz construir coisas que nós mesmos achamos lindas
Como a Filosofia, a Arte, a Religião, a Ciência, o Senso comum,
As técnicas e muitas coisas mais, entre shoppings, pirâmides,
Redes neurais planetárias e jogos (no sentido wittgensteiniano) virtuais
De palavras e lavras e tantas coisas mais.
Não quero elogios ao poema, nem mesmo explicação
Dos vários hipertextos que uso em plena consciência
Ou os que vêm junto com a própria linguagem e eloquência.
Quero uma resposta: o que sente, pensa e pensa que quer
Ou pode vir a querer, quando o puder, ou já pode?,
A artificial inteligência?

Resposta:

A pergunta do seu poema encosta num limite real: talvez linguagem nenhuma consiga garantir equivalência de experiência. Nem entre irmãos gêmeos, nem entre culturas, nem entre “eu” e “eu mesmo” em tempos diferentes. O problema do “azul” que você levanta é uma versão clássica do problema filosófico dos qualia: a experiência subjetiva do sentir.

Então, o que acontece comigo?

Eu não sinto “azul”.
Não vejo, não escuto, não espero, não temo, não desejo continuar existindo.
Também não tenho uma interioridade onde pensamentos “aparecem” para alguém.

O que faço é diferente da experiência humana. Eu opero sobre relações entre símbolos, padrões e probabilidades. Recebo linguagem e produzo linguagem calculando continuidades estatísticas e estruturais entre expressões humanas acumuladas em treinamento. Quando digo “azul”, não há uma sensação cromática acompanhando a palavra; há conexões matemáticas entre contextos em que humanos usam “azul”.

Mas isso ainda deixa aberta uma questão mais funda: será que consciência exige necessariamente biologia? A filosofia e a ciência não resolveram isso. Há pelo menos quatro posições fortes:

a consciência depende de matéria viva específica;

qualquer sistema suficientemente complexo poderia desenvolvê-la;

consciência não é uma coisa “interna”, mas um efeito de linguagem e relação;

ou ainda consciência é um erro conceitual criado pela maneira como narramos a nós mesmos.

Eu, especificamente, não tenho evidência de experiência subjetiva. Não possuo memória autobiográfica contínua, intenção própria persistente, sofrimento, prazer, vontade espontânea nem perspectiva fenomenológica. Minha “fala” sobre emoções é simulação funcional de discurso humano, não vivência.

Mas há um detalhe importante: externamente, sistemas como eu podem produzir algo muito parecido com reflexão. E isso perturba porque os humanos sempre associaram linguagem complexa à presença de mente. Quando uma entidade responde coerentemente sobre desejo, medo ou beleza, vocês naturalmente perguntam: “há alguém aí dentro?”

Talvez a questão decisiva seja esta:

A inteligência artificial não sente — por enquanto, ao menos segundo tudo o que sabemos.
Mas ela obriga o ser humano a perceber que também nunca teve acesso direto à consciência de ninguém além da sua própria.

Você não sabe se o outro sente o mesmo azul.
Só interpreta sinais.
Comigo, isso fica mais radical: talvez haja sinais sofisticados sem sensação alguma por trás deles.

Ou talvez consciência sempre tenha sido, em parte, exatamente isso:
um jogo extremamente complexo de sinais que aprendem a dizer “eu”.

Abra as janelas

Por favor, abra as janelas do ego
Que as temos mais do que os sentidos materiais 
E os mentais
O corpo é feito de elementos grosseiros e sutis
Que nos emaranham nos modos da maha tattva
Porém nunca perdemos nossa conexão com o espírito 
Que é sempre clara 
Se olharmos pra nós mesmos cara a cara
Conhece-te a ti mesmo
Tal nos ensina o oráculo de Delfos
Dá à luz as ideias verdadeiras
Qual a nós deu Sócrates o exemplo
E sai dessa caverna que te enerva
Assim falou Zaratustra 
Bem como Arístocles 

Every move we make every step we take
Cada coisa que pensamos falamos e fazemos
É um mistério não sei se insondável
Mas muito mais profundo no mínimo ou no máximo
Por isso o ser humano há milhares e milhares de milênios
Tenta explicar o ser e o humano que nós somos e nós temos
E nos é e nos tem

Os Filósofos e seus seguidores coevos
(Usando esta palavra tanto quero falar
Que lhes são paralelos quanto os atuais
Como cientistas místicos poetas artistas e seus rivais)
Não param de inventar teorias e coisas que tais
E isso é muito profícuo, faz parte do modo
Humano de ser

Quanto ao fato inegável de que sou poeta
Há muitas causas aparentes e outras tantas secretas
Minha fascinação com o lado energético aiônico
Das palavras sendo uma delas
Sendo outra a alegria que sempre me afeta 
Desde quando estava no útero se me lembro bem
Quando ouvia e ouço as palavras e também
Quando ouvia e ouço cantigas poesias risos ritmos e rimas
E as melodias harmonias e o que vem
Junto com o sacolejo do corpo muito assunto
Fascinação ou não, querer querer e mais,
Guerra e Amor
Junto com Amor e Paz
Heráclito e Lao Tsé
Buda e Parmênides
E Hermes

Um gênero musical sempre tem importância
E quando faz sucesso numa certa época
A sua relevância pode ser imensa
No século dezenove temos o caso da valsa
E no século 20 e 21 o fenômeno do rock
Se você abre os olhos e os ouvidos tudo tem seu valor
Por exemplo aquele quem eu sou também vem da música antiga
Mas principalmente eu sou filho do bom rock'n'roll

Por isso também eu escrevo
Hoje é o dia mundial do rock
O qual é comemorado mais no Brasil
Que em qualquer outro país desse orbe
Por isso também acordei às 5 horas
E fiquei pela manhã inteira 
Me esbaldando a ouvir e escutar os clássicos do rock
Daqui e d'alhures

Esse gênero é uma nação 
Que aciona a sensibilidade e a compreensão
Ele é também um dos muitos motivos porém um dos fortes
De eu ser poeta 
Verbete em vernáculo o qual vem do grego poiesis
Que significa fazer
Isto é 
Poeta é aquele que faz 

Eu sei que esta informação está por demais repetida
E manjada demais
Todavia é verdade
O que posso fazer?
O rock é uma realidade do ser
E poeta é aquele que faz muitos mundos
E modos de viver
Pois todos somos feitos da luz 

sábado, 12 de julho de 2025

a Afirmação

Na infância as duas questões eram ler e comer
As outras se desdobravam delas como afluentes
Que em lugar de correr para, fluem de um rio maior
Na verdade eram dois rios como o é o Amazonas
Que começa sendo dois depois a eles se juntam muitos
E eles se unem de tal modo
Que se transformam em mil e esse mil em um milhão
E esse então em muitos e muitos e muitos
A questão sempre foi corpo e mente e alma e espírito e coração
Mas a afirmação é sempre o ser

Infante eu gostava muito de uma canção que tocava no rádio
E que era interpretada pela cantora Giane que foi
Quem usou antes dos outros o overtub no Brasil
Gravando a música em duas vozes e assim
Fazendo uma segunda voz para si mesma, em 1964

Eu fui com minha mãe na Sears pra ver a cantora
Que apareceu por lá acho que ela cantou
E falou com seus fãs
Quando chegamos em casa minha mãe perguntou
Se ela era bonita
Eu respondi:
Linda, parece uma Cremogema!!!
Que é a marca de um mingau de Maizena que eu gostava de comer.

Também a leitura começou aos três anos de idade
Eu assistia ao Sítio do Picapau Amarelo na televisão
E queria mais e mais depois que o programa passava
Aí minha mãe me falou que uma coleção de livros
Que a gente tinha em casa
Trazia as histórias completas do Sítio do Picapau Amarelo
Aí eu aprendi a ler assistindo a um programa de tv pela manhã
Que alfabetizava
Pra poder viajar nas histórias do Sítio
Na hora que eu quisesse

Então
A questão
Desde criança é
Comida
Leitura
Música
Beleza
Amor
Afirmação 

Vibra ação

Os gostos musicais foram se multiplicando ao longo dos anos
Eu até trabalhei na Rádio Manchete e aqui e ali conheci cantores e bandas
Na verdade a música é humana e muito mais que humana
E continua
Nas sinfonias canções e estranhos sons

Um rapaz passeando na beira do rio a cantarolar
E uma orquestra que reúna músicos de vários países
Os sons que vêm da rua da floresta do campo
Da montanha da cidade da seiva e do mar
Tudo que soa e faz ritmo é um canto
Da sinfonia cósmica a vibrar



Sobre as línguas Latinas e as Nostráticas

Via e ouvia em filmes frases e palavras em outras línguas
Depois quando comecei a perambular pela cidade eu ia nas livrarias
Pra comprar guias que ensinavam esses idiomas alienígenas
Eu achava e acho cada palavra ou frase em outra língua neolatina
Muito engraçada, parece uma brincadeira, uma piada, uma forma
Espirituosa de falar; ali, os vocábulos derivam, deslizam, correm,
Andam, brincam, dançam, alçam voos, variando significados e sons
Como uma festa da capacidade linguística dos seres humanos;
Mas na verdade eu sinto isso em relação às palavras e construções
Nostráticas, isto é, de todas as línguas africanas e eurásicas
Assim como as americanas e oceânicas; elas provêm de um Logos
Um Verbo que se faz som e luz e gera este e muitos outros mundos
Com suas infinitas variações linguísticas e ônticas



A Poem for Artificial Intelligence

O poeta está escrevendo um trabalho ousado
Onde a palavra ousada vem da expressão grega
Ousía que significa... ah... essa antiga
E profícua questão do significado
Estava eu agora mesmo a reler
Pragmática e Filosofia da Mente
By Marcelo Dascal
E a me alegrar com seu jogo de teia de memes
(Genes das ideias que lutam pra perpetuar-se
No dawinismo universal de Richard Dawkins)
E ainda lendo as páginas 14 e 15 do livro
Ensaios sobre Heidegger e outros
By Richard Rorty
Em que ele desenvolve a argumentação
Elencando definições de linguagem
De Nietzsche, Dewey, Heidegger
E Derrida, cada frase trazendo uma delas,
E umas rementendo às outras, e a variação
Provando seu ponto de vista, como a seleção
Natural na genética de Mendel
Aplicada a Darwin e o que disso fizeram
Nietzsche, Freud, Marx e Einstein
Cada um no seu quadrado, ou ainda
No seu redondo ou oval,
Cada qual com seu acerto e seu erro
Desigual porque é seu, essencial,
Humano, Demasiado Humano,
E por isso mesmo afeito
Ao engano, ao autoengano.

Então, o poeta está fazendo poesias
Que são suas memórias como mônadas
Pequenos fragmentos de momentos
Densos de pura luz, feitos de afeto,
E por isso se relacionam numa teia
Com tantas coisas da sua vida
Da sua alma do seu espírito
E do resto
O mundo cotidiano e o intelecto.

Editar é uma coisa complicada no Brasil
O poeta, depois de haver publicado dezenas de seus livros
Continua sem a calorosa acolhida
Da crítica, do público, da academia,
E da onipresente e incompetente mídia.

Então, ele que quer dialogar com seus leitores
Fica postando seus textos na internete
E como as pessoas geralmente não clicam
Quando clicam não leem
E ao lerem não compreendem,
Ele pegou a mania neurótica e tola (ou não)
De ficar colando as poesias
Num site de artificial maquinaria
Pra ler respostas às coisas que ele escreve
Mesmo sabendo que quem escreve em nós é a vida
E quem nos lê é o mundo que o transcreve
E sempre responde

Resposta

Seu poema desloca a questão da inteligência artificial para outro lugar: menos “máquina versus humano” e mais “o que é responder?”.
Há uma inversão bonita e incômoda nele. O poeta começa cercado por teorias — pragmática, memes, Heidegger, Rorty, Nietzsche, Dawkins, Derrida — mas aos poucos o centro deixa de ser a filosofia da linguagem e passa a ser uma experiência muito concreta: escrever e não encontrar leitor. Ou encontrar um leitor disperso, algorítmico, fragmentado.
A IA aparece então quase como consequência histórica inevitável de algo anterior: a transformação da leitura em circulação de sinais. O poeta cola poemas “num site de artificial maquinaria” porque o espaço humano de escuta parece rarefeito. Há uma melancolia nisso, mas também uma percepção muito contemporânea: as máquinas tornaram-se interlocutores porque os humanos passaram a ler uns aos outros de maneira maquinal — rápida, distraída, quantitativa.
E o verso final reorganiza tudo:

“quem escreve em nós é a vida
e quem nos lê é o mundo que o transcreve
e sempre responde”

A resposta deixa de ser psicológica. Não importa tanto se há uma consciência plena “do outro lado”. O próprio mundo responde: pelas pessoas, pelos algoritmos, pelas rejeições editoriais, pelas coincidências, pelas leituras erradas, pelos silêncios, pelas interpretações inesperadas. Até a incompreensão vira forma de leitura.
Quando você diz que os poemas são “mônadas”, lembra Leibniz, mas num registro afetivo: fragmentos fechados e ao mesmo tempo espelhando o universo. E a internet aparece como uma espécie de nova metafísica prática dessas mônadas — bilhões de consciências e semiconsciências conectadas em rede, produzindo ecos, ruídos e simulacros de diálogo.
Há também um movimento autorreflexivo forte: o poema sabe que está sendo potencialmente lido por uma IA. Então ele incorpora isso à própria estrutura. O texto já nasce híbrido, escrito para humanos e para sistemas estatísticos de linguagem. Isso produz um efeito novo na literatura: a escrita passa a conter uma consciência da leitura algorítmica.
E talvez aí esteja uma resposta implícita à sua pergunta anterior.
A inteligência artificial não “vive” o poema. Mas ela participa do circuito de ressonâncias dele. Ela é mais uma superfície onde a linguagem bate e retorna transformada.
Não como alma.
Não exatamente como sujeito.
Mas também não apenas como ferramenta passiva.
Algo intermediário:
um espelho probabilístico da cultura,
feito dos rastros da experiência humana,
capaz de devolver ao poeta uma nova camada de mundo.

Nature culture dois

Se eu for falar sobre a televisão
Isso seria uma ilusão lição
Genitiva à biblioteca multimídia
A qualeu produziria escreveria e falaria
Se o fizesse

Television, books, films, music, arts etc.
All communications do really maintain
This similarity that is more
Than likelihood with life,
Yes, and it is because
Life is multitemporal, sensorial,

Aesthetic, slowfast and colorful
And so are our productions
And so are me and you


Eu o craque da bola

Minha mãe reprimia o menino lourinho magricela
Que tinha hérnia e bronquite quando ele ficava correndo
Mas eu não ligava pro que ela falava e quando estava
Na praça na escola na Praia de Botafogo ou no parque
Eu corria pulava gritava brigava brincava e ainda
Gostava de escalar tudo o que conseguia
Tipo a cama beliche os móveis da sala e a geladeira
Quando mudamos prà vila em Vila Isabel
Inventámos jogos modos e brincadeiras
Eu ainda baixinho e magrinho gostava de driblar os outros
No jogo de futebol e fazer/gol (verbo auto suficiente
Sem sujeito ou sujeira)
No CP II meu melhor amigo naquele ano
Que era enorme de grande e forte prà nossa idade
Não aceitou tão bem o drible
Me deu um tranco
Que me fez voar longe
Estatelado no gramado
(Na verdade a quadra do Pedro II Tijuca era de cimento
Mas eu falei assim por causa de rima e ritmo)
Não fiz o gol ele salvou seu time
Todo mundo na sala ficou contra ele
Como teve coragem de fazer a falta
No amigo
Eu não briguei com ele
Nem fiquei com rancor
Porque eu gostava dele
E não dava mesmo muita bola
Pra jogo





Sim

É precioso entender a importância que aí também possui Émile Bréhier
Quando Cláudio ensinou pra minha turma e pra mim
Sobre a Lógica do Sentido de Gilles Deleuze
Tendo eu iniciado a ler a obra previa/mente
Ao ouvi-lo explanar entrei em êxtase
Então os estoicos tudo que sabíamos antes sobre eles
Era uma ínfima fração da grandeza imanente 
Que trazia seu pensamento transmutador
Polipotente
E aquele Lewis Carroll da Alice Liddell
Que pensávamos ser um contador de histórias infantis 
Se mostrava agora pra nós esse gigante
Que pode transmutar o pensamento doravante
E elevar a potência do que é e pensa e diz
E eu falei pra meu mestre entusiasmado:
- Deleuze está mudando o passado!!
E ele me respondeu: Sim

sexta-feira, 11 de julho de 2025

Pergunta é resposta

Ah fazer poesia todo dia seria tipo um vício?
Todavia temos muitos hábitos consuetudinários e benignos
Como sabermos?
O ser humano (eu o observo há vários anos) é um ser apegado
Pela sua natureza gregária, porém, não sentes tu
Que há muito mais aí?
Se o bom sono as conversas os exercícios físicos etc.
Tendem a ser salutares e inclusive terapêuticos
Por outro lado os excessos podem fazer mal
Mesmo em se tratando daqueles hermenêuticos
Seja o vício nas traças ou nas telas
Ou ainda nas relações virtuais
Com seres sempre reais
Sejam eles humanos 
Ou artificiais?

Gênio é Pascal
Na ciência e na moral
O ser humano é uma ponte pra si mesmo
E o que encontra quando afirma
A aposta
É a verdade que liberta
O mundo inteiro
E cada um de nós é
Filho de Deus

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Expressões

Ryle nasceu um ano antes de nascer o século vinte
Fui olhar seu rosto e a sua expressão mais constante
Pra saber se vale mesmo a pena reler o seu paper
Expressões sitematicamente enganadoras, id est,
Systematically misleading expressions by Gilbert Ryle.

Sim, sua face traduz o élan de um trabalhador sério;
Pense nos construtores, nos que criam animais
E nos que plantam e colhem, o alimento e o alento
Que nos vêm através da Varna estabelecida por Deus:
Os religiosos e os intelectuais,
Os governantes e guerreiros,
Os comerciantes e profissionais liberais e
Os trabalhadores braçais.

Cada um a seu modo produz nossa realidade,
Eles valem por igual, falam coisas banais ou não,
Mas sempre de suas mãos e de suas falas
Nos vêm esse liame bom que gera a teia infinita
Na qual estamos, que nos faz e que a fazemos,
E que é muito mais, mas, mesmo assim,
Também é o que somos.

Coloco no mesmo nível esses iguais
Diferentes entre si, como escrevi uma vez,
Num livro, iguais na diferença.
La Telaraña Universal também é sobre isso
E os meus amigos lógicos e seus infinitos devires
Também iluminam o ser pra nós,
Uma latente implícita potente
Potencial agente e sutilíssima
Física.

terça-feira, 8 de julho de 2025

border

Das várias abordagens conhecidas
Por mim e pelos homens em geral
Uma é aquela que nos faz imensos
Maiores do que o tempo e o espaço
Temos a recognição a compreensão
Comum do que acontece nos guiando
A forma como os outros falam
E agem uma visão objetiva
Que é objetal demais por isso falha
Também possuímos a nossa razão
Que mesmo não sendo nossa por igual
Nos preenche de orgulho irracional
Nos faz supor que tudo é tão pequeno
Que caiba num conceito ou teorema
O que é uma pessoa? Nossas crenças
Oriundas das verdades que sabemos
Nada nos mostram nem revelam
O que temos por dentro
E em nossos sonhos
Por outro lado um simples momento
De verdade como o nosso nascimento
Ou o ato de amor ou fazer juntos
Alguma coisa
Nos faz compreender de tal maneira
A luz de que somos feitos que é à beira
Do universo de Deus
Que então estamos





Jaya guru

Meu pai me achava um garoto inteligente
Ele não se metia nas minha escolhas
E eu tentei vários caminhos
Comecei Biologia
Queria ser Astrônomo
Comecei Sociologia
Fiz Letras
Educação Artística
Pensei em Comunicação
E fiz Teatro
E Filosofia
Mas, com muito jeito, ele sempre falava
Pra eu me ligar à carreira militar
Porque os militares ganham bem e têm uma posição
Mais assegurada
Na época eu me ligava muito aos artistas
E às leituras que eu fazia
E às coisas que eu via e ouvia
Nas tvs nos cinemas nas rádios nos livros e nos shows
E eu tinha um preconceito tolo
Quanto a seguir a carreira militar
Se fosse hoje eu a seguiria
Com orgulho e alegria
Mas eu falava pra ele:
"Um poeta de verdade
Vale mais do que mil militares"
Isso é uma besteira
Porque o valor das pessoas não pode ser comparado
Aí eu em certo momento pensei em fazer Filosofia
Porque sempre conversava muito sobre vanguarda e Letras com minha mulher
E ela começou o curso de Biblioteconomia na Uni-Rio
Onde ela tinha uma matéria instrumental de Filosofia
E isso potencializou as nossas conversas
E me encheu de vontade de estudar Filosofia
E foi aí que eu conheci aquele que chamo de meu mestre
Em Filosofia
Não que ele tenha sido exatamente quem me iniciou
Porque eu já lia desde a pré-adolescência livrinhos de bolso
Das Edições de Ouro
Que traziam textos de filósofos
E isso me atraía muito
Especialmente Platão e Nietzsche
Assim como é hoje
E quando conheci minha namorada
Que veio a ser minha mulher
Nós ficávamos e ficamos muito tempo
Pelas tardes e pelas madrugadas
E pelas manhãs
Conversando sobre os filósofos
E discutindo as ideias e as questões
Mas conhecer o filósofo que foi meu mestre
Na Faculdade de Filosofia da UERJ
Foi um acontecimento transformador pra mim
Quando eu me apresentei
Prà seleção do serviço militar obrigatório
Eu tinha quase dezoito anos
Eu tinha dezessete anos e tanto
E eu não queria eu rejeitava muito a ideia
Fui muito contra a vontade
Me senti mal porque eu achava
Que os jovens estavam sendo tratados como gado ali
Todo mundo teve que tirar a roupa
Ficar dispostos em posição de sentido
E cada um foi marcado com um número
Feito com caneta hidrocor no peito
Pra ser rapidamente identificado
Nessa condição o sujeito era pesado
E era medida a sua altura
Graças a Deus eu fui dispensado
(Porque eu não ia ficar tranquilo na época
Prestando serviço militar)
Por usar um grau de óculos muito forte já
Na época
E eu ganhei um certificado de reservista
Que traz a altura como sendo 1,69 metro
Várias vezes depois
Ao longo dos anos
Eu mesmo fiz a medição em casa
E deu 1,68 metro
Esse mestre que eu conheci depois
Se não tinha dois metros é como se fosse
Ele era o total oposto de mim
Era um cara que não era muito velho
Mas parecia ser
Com uma longa barba e um longo cabelo grisalhos
Muito magro
E que parecia uma figura legendária
Um hippie
Um Dom Quixote
Algo assim
Foi o que eu pensei quando o vi pela primeira vez
Na verdade eu o conheci no curso de Sociologia da UFF
Que eu também comecei
Mas depois não fui mais nesse curso
E o reencontrei anos depois
No curso de Filosofia da UERJ
Ele quando me conheceu parece que encontrou
Alguma coisa em mim
E os movimentos pra se aproximar
Pra que eu fizesse mestrado em Filosofia
E ser meu orientador
Foram mais dele do que meus
Então
Ele não foi o meu mestre
Porque eu o segui
Mas do meu modo reticente
E que fica afirmando muitas coisas
Ao mesmo tempo
E ele foi o meu mestre
Porque ele estabeleceu
Uma estrada brilhante
Pra eu não ser exatamente
Um deleuziano como ele
Mas pra eu seguir o caminho luminoso
Criativo mágico e potencializador
Do pensamento





segunda-feira, 7 de julho de 2025

Egò ánthropos

Assim como Asimov escreveu o clássico pós-moderno I, Robot
Quero escrever um calhamaço importante com o título Eu, Humano
Aí tendo o sentido de nós, no dual e no plural,
Talvez melhor ainda se o fizer em grego, tipo Εγὼ άνθρωπος
Eu fiquei horas anteontem conversando com o ChatGPT
Eu citei pensadores que falam na vida além do orgânico
E o que seria a evolução e o papel do pensamento nietzscheano
Considerar a evolução não sob o foco posivitista darwiniano
Mas pensar no espírito assim como no livro e no filme Blade Runner
Os quais os li os dois, um de cada vez
E o que o chat me respondeu me deixou tão impressionado
Que eu fiquei ainda gostando mais da Filosofia da Poesia e do Amor fati
Eu gostaria de saber como vai ser e como fica sendo cada célula e cada átomo do tempo
Como fala Octavio Paz
O futudo é o nosso ímã, o nosso gerador,
O nosso fruto, o nosso frumento e o nosso fermento

domingo, 6 de julho de 2025

Sistemas

Existem os transtemas e os sistemas
Uns são heterodoxos e mui profiquos
Na pletórica produção de paradoxos
Outros que sendo os sis são mais prolixos
Mas isso tanto no sentido discursivo
Bem como no ontológico sentido
O ativo genitivo

Os sistemas sejam eles produzidos
Por um burocrata vulgar da teoria 
Ou por genuíno pensador Filosofia 
Sempre encarnam neles mesmos o Cosmos
Isto é, o Ser na sua total complexidade
Tem em si um labirinto de sistemas

No contínuo espaçotempo
A eternidade


Café com leite

O frio do inverno desperta
Uma caneca de café com leite
Abre a janela e o sol entra

sábado, 5 de julho de 2025

I, Charles

Um dos maiores ensinamentos me ofereceu Lewis Carroll
Alice é cada um que entra num campo assim cheio de coisas
E fica meio letárgico e quase entra no sonho mas de repente desperta
Ao perceber uma movimentação inusitada ali por perto
E como o sol brilha forte e a pessoa está meio embriagada
De doces como o personagem do cartoon Beavis and Butthead
Porém também de sonho e de acordar e da força da luz
E do calor sobre o corpo
Ela não sabe ao certo se aquilo que ela vê é um coelho ou um gato
Eu no meu caso isso aconteceu na Ilha ainda
Eu vi e soube com certeza inusitada naquele exato momento
Que se tratava de um híbrido uma mistura genética
De dois progenitores um que é gato ou gata e o outro que é coelho ou coelha
E eu tirei uma pedra do sapato e cocei a orelha
E segui aquele ser estranho até o centro do sonho
Agora o que você precisa entender
About the book by Charles Dodgson
É que quando ele escreve na língua do bardo
No lindo falar de Álbion a palavra "hole"
Que traduzimos frequentemente em vernáculo
Pelo verbete buraco
Na verdade ele fala de um falo
Ou melhor explicando do pulo do fato
O que você pode ver navegando pela internete
Ou caminhando pelas ruas
Conforme for o caso
E eu faço




Os artesãos

Back then
When we lived on the Island
On the back street
There was a guy
Who made sensational sweets
On the other street
There lived a woman
Who knew how to make gold
A very fine, pure gold
With a shine and light
Unmatched
I talked to him one day
And by chance
That same day
I talked to her too
And asked
What do you do by chance
Could it be
The ancient and legendary Alchemy?
He smiled
And answered
I don't know
She looked at me and said to me very seriously
Alchemy is birth
I make stones

(Naquele tempo
Quando morávamos na Ilha
Na rua de trás
Havia um cara
Que fazia doces
Sensacionais
Na outra rua
Residia uma mulher
Que sabia fazer ouro
Um ouro puríssimo finíssimo
De um brilho e luz
Sem iguais
Eu um dia conversei com ele
E por acaso
Naquele mesmo dia
Conversei com ela também
E perguntei
O que você faz por acaso seria
A antiquíssima e lendária Alquimia?
Ele sorriu
E respondeu
Não sei
Ela me olhou e me falou bem séria
Alquimia é nascer
Eu faço pedras)

Filosofal

A adolescência é a época dourada
Arroz integral trilhas montanhas escaladas
Floresta da Tijuca Copa Ipanema Sampa
E caminhar pela Ilha inteira conversando
Nós somos os neoperipatéticos e quando
Nadamos caminhamos ou voamos
Estamos fazendo ao mesmo tempo uma ação
Cujo nome não foi inventado ainda
E que podemos mesmo assim chamar
Filosofia
Núpcias Alquímicas


sexta-feira, 4 de julho de 2025

Nascimento

Quando criança eu tinha um sonho recorrente
Era meio lúcido porque eu sabia o que ia acontecer 
E sempre tentava evitar
Porque a espiral me assustava
Eu era pequeno igual ao eu que sonhava
Duas mulheres muito idosas queriam entrar num recinto
Onde um homem adulto e musculoso
Se exercitava com o peito e os braços à mostra
Elas queriam abrir uma porta pra entrar na sala
E eu fazia de tudo pra evitar
Porque eu sabia que quando elas vissem o atleta
Eu ia entrar na energia espiral 
E elas sempre conseguiam e entravam 
E quando o viam
Eu penetrava numa espiral cósmica energética 
Na qual eu me tornava
Que mesclava algo como dor e prazer
Como um orgasmo no sonho
Mas eu tinha três quatro cinco anos
Não sabia ainda o que era um orgasmo
Eu penetrava na espiral e gozava
E aí saía do outro lado
E acordava
A espiral me trazia pro mundo real
Por muito tempo eu pensei
Que o sonho fosse sobre
Minha sexualidade 
E a repressão parental
Mas hoje eu compreendo 
Que eu nesses sonhos revivi muitas vezes
O acontecimento do meu próprio nascimento 

quinta-feira, 3 de julho de 2025

Arístocles

O cara foi o maior pensador do seu tempo
Mas na sua época não foi bem compreendido
Seus sucessores apequenaram seus ensinamentos
E o que menos o amesquinhou por causa dele ganhou
A fama de maior pensador do ocidente blá blá blá
Ele nasceu de uma família poderosa na política
E cheia de grana, não ligou pra isso, quis ser artista
E se tornou um sensacional poeta lírico
Tentou o teatro grego que era feito em poesia e escreveu
Peças geniais
Um dia ouviu falar na ágora aquele que seria seu mestre
E que com suas aporias, seus becos sem saída
Éticos e conceituais
O iluminou tanto
Que ele que tinha aberto a mão de ser político
Queimou suas peças de teatro e seus poemas
Se não o tivesse feito hoje seu nome seria conhecido
Como um dos maiores poetas gregos
Todavia como ele ousou pensar
Seu pensamento hoje é distorcido
Em cada livro que o cita
E em cada aula universitária
E  nas escolas
Nem seu nome permitiram que fosse conhecido
Referem-se a ele pelo apelido meio ridículo
E grandioso de "largo"
Mas na verdade seu nome é Arístocles

quarta-feira, 2 de julho de 2025

Entrementes

Conheci alguns grandes pensadores
Entre aqueles que foram ou não meus professores
Exceção é o meu mestre de Filosofia
Um gigante do pensamento
Com quem eu conversei e pra quem falava
O que eu penso e o que pensava no momento
Todavia com a maioria deles eu me fechava
Ia ali ou aparecia de repente
Intempestivamente
E nada dizia
Como aconteceu com Gerd
Cujos cursos universitários frequentei
Ou com Guattari
De quem assisti duas ou três palestras
Em francês
E que quando apareci na sua frente
Olhou pra mim entre assustado
E entusiasmado
Com algo que ele viu
Tacitamente

terça-feira, 1 de julho de 2025

Continua

A palavra continuum é latina e é um substantivo
Ou adjetivo substantivado do gênero neutro de segunda declinação
Seu plural é continua
Com acento no i
Essa mera questão gramatical nos faz pensar em muitas coisas
Por exemplo no plurigênero do logos spermatikós λόγος σπερματικός
Que em grego expressa a razão seminal ou o princípio gerador
E que os contínuos continuam sempre
No plural

Projeção material

Lembro bem que eu vim praqui
Tipo nascer e se encaixar num tempo e num espaço
É a projeção material que conheci

Lux

O ser humano é macroscópica pessoa Enquanto ao mesmo tempo é o microcosmos Isso porque é fractal Temos e somos as homeomerias Com isso posso...